PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2025
Menino de 4 anos é levado à consulta pediátrica com febre há 6 dias (39,4 ºC) e queda do estado geral. No dia da consulta, apresentou "vermelhidão pelo corpo" e olhos vermelhos. A vacinação está em dia, e não há histórico de alergias. Ao exame, observa-se linfonodomegalia cervical à direita (gânglios de até 2 cm, endurecidos), orofaringe hiperemiada sem pus, exantema generalizado (principalmente em períneo), hiperemia conjuntival e edema discreto de mãos e pés. Exames laboratoriais revelam: Hb = 10,5 g/dL, leucócitos = 16.500/mm³ (49% neutrófilos, 43% linfócitos), plaquetas = 230.000/mm³ e VHS = 75 mm. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Febre > 5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, boca/garganta, mãos/pés, exantema, linfonodo) → Doença de Kawasaki.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e uma constelação de achados mucocutâneos e linfonodais. O diagnóstico é clínico e a suspeita precoce é crucial para prevenir complicações cardíacas, como aneurismas de artérias coronárias.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta predominantemente crianças pequenas, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. Sua etiologia é desconhecida, mas acredita-se que seja desencadeada por um agente infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos, levando a uma resposta imune desregulada que resulta em inflamação vascular generalizada, com predileção pelas artérias coronárias. O reconhecimento precoce é vital para o prognóstico, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta o risco de sequelas cardíacas graves. O diagnóstico da Doença de Kawasaki é essencialmente clínico, baseado na presença de febre prolongada (≥ 5 dias) e pelo menos quatro dos cinco critérios principais. Exames laboratoriais, como VHS e PCR elevados, leucocitose com desvio à esquerda, anemia e plaquetose (na fase subaguda), são inespecíficos, mas apoiam a suspeita. A ecocardiografia é fundamental para avaliar o envolvimento coronariano no momento do diagnóstico e durante o seguimento. A suspeita deve ser alta em crianças com febre inexplicada e achados que se encaixam nos critérios, mesmo que incompletos, especialmente em lactentes. O tratamento padrão consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e aspirina em doses anti-inflamatórias, seguida por doses antiplaquetárias após a defervescência. A IVIG atua modulando a resposta imune e reduzindo a inflamação, diminuindo drasticamente a incidência de aneurismas coronarianos. O acompanhamento cardiológico é mandatório para monitorar a evolução e detectar precocemente possíveis complicações, garantindo a melhor qualidade de vida para o paciente.
Os principais critérios incluem febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco achados: hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, alterações de lábios e cavidade oral (lábios eritematosos, secos, fissurados; língua em framboesa; hiperemia difusa da orofaringe), alterações das extremidades (edema e eritema de mãos e pés na fase aguda; descamação periungueal na fase subaguda), exantema polimorfo e linfonodomegalia cervical (geralmente unilateral, >1,5 cm).
O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina em tempo hábil, idealmente nos primeiros 10 dias de doença. Isso reduz significativamente o risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave e potencialmente fatal da doença.
Os diagnósticos diferenciais incluem escarlatina, exantema súbito, sarampo, adenovirose, mononucleose infecciosa, síndrome de Stevens-Johnson, reações a drogas e outras vasculites. A ausência de exsudato purulento na orofaringe e a persistência da febre são pistas importantes para Kawasaki.
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