Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Sinais Chave

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Lactente, masculino, 18 meses de idade, previamente hígido, foi levado à UPA com história de febre alta (39,2ºC), iniciada há 3 dias, acompanhada de tosse seca, rinorreia e congestão ocular não exudativa. Vacinas em dia. Ao exame, apenas hiperemia de orofaringe e membranas timpânicas. O médico solicitou Rx de tórax, com resultado normal. Liberou a criança para casa com Paracetamol, soro fisiológico para as narinas e higiene ocular, medicação que já costumava utilizar na criança. Paciente não apresentou melhora, persistindo com o quadro. Após 2 dias, evoluiu com dor abdominal difusa, diarreia (fezes semilíquidas 5x/dia, amareladas, sem muco, pus ou sangue, odor incaracterístico), hiperemia difusa em face, tronco e membros, edema em face, mãos e pés, eritema de mucosa oral e fissuras labiais. Retornou à UPA sendo atendido por outro profissional. Ao exame: REG, febril (Tax: 39ºC) taquicárdico, hiperemia ocular bilateral, anictérico e acianótico. Otoscopia mostrou hiperemia. Orofaringe com hiperemia e língua em framboesa. Pescoço com linfonodos palpáveis à direita, sendo o maior com 1,5 cm de diâmetro e sem sinais flogísticos. AR: MV fisiológico, sem ruídos adventícios. ACV: RCR, 2t, sem sopros. Tempo de enchimento capilar menor que 3 segundos. Abdome plano, simétrico, sem dor à palpação profunda e sem visceromegalias. Genitália masculina sem alteração. SN sem sinais meníngeos. Pele com exantema difuso polimorfo, indolor e não pruriginoso e sinal de Nikolsky negativo. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Doença de Kawasaki
  2. B) Escarlatina
  3. C) Sarampo
  4. D) Toxoplasmose

Pérola Clínica

Febre >5 dias + 4 dos 5 critérios (conjuntivite, boca/lábios, exantema, mãos/pés, linfonodo) = Doença de Kawasaki, vasculite sistêmica.

Resumo-Chave

O quadro clínico, com febre prolongada, hiperemia ocular bilateral não exudativa, língua em framboesa, fissuras labiais, exantema polimorfo e edema de mãos e pés, é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica que requer diagnóstico e tratamento urgentes para prevenir complicações cardíacas.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida que afeta principalmente crianças pequenas, com pico de incidência entre 6 meses e 5 anos de idade. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos, devido ao risco de desenvolver aneurismas das artérias coronárias. O reconhecimento precoce é fundamental para prevenir essas complicações graves. O diagnóstico da DK é clínico, baseado na presença de febre prolongada (≥ 5 dias) e pelo menos quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exudativa, alterações orais (língua em framboesa, lábios eritematosos e fissurados), exantema polimorfo, alterações nas extremidades (edema e eritema de mãos e pés, seguido por descamação periungueal) e linfonodomegalia cervical não supurativa. Em casos de DK incompleta, a suspeita é mantida com febre prolongada e menos critérios, exigindo investigação adicional. O tratamento padrão da DK consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS), administrados idealmente nos primeiros 10 dias de febre para reduzir o risco de aneurismas coronarianos. Residentes devem estar cientes da apresentação clínica variada da DK e da importância de um alto índice de suspeita para garantir o diagnóstico e tratamento oportunos, minimizando o risco de sequelas cardíacas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios diagnósticos incluem febre por 5 ou mais dias, acompanhada de pelo menos 4 dos 5 seguintes: conjuntivite bilateral não exudativa, alterações nos lábios e cavidade oral (lábios eritematosos, fissurados, língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações nas extremidades (edema e eritema de mãos e pés, descamação periungueal) e linfonodomegalia cervical (>1,5 cm, geralmente unilateral).

Qual a complicação mais grave da Doença de Kawasaki e por que o diagnóstico precoce é importante?

A complicação mais grave é o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia e morte. O diagnóstico precoce e o início do tratamento com imunoglobulina intravenosa (IVIG) dentro dos primeiros 10 dias de febre são cruciais para reduzir significativamente o risco dessas complicações cardíacas.

Como diferenciar Doença de Kawasaki de outras condições febris com exantema em crianças?

A Doença de Kawasaki pode ser confundida com sarampo, escarlatina, adenovirose, entre outras. A persistência da febre por mais de 5 dias e a combinação específica de achados clínicos (conjuntivite não exudativa, língua em framboesa, edema de extremidades) são chaves para o diagnóstico diferencial. Exames laboratoriais como elevação de PCR, VHS, leucocitose e plaquetose podem apoiar a suspeita.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo