Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Tratamento Essencial

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 3 anos de idade apresenta febre há 1 semana e aparecimento de fissura labial. No terceiro dia do início do quadro, ele teve hiperemia conjuntival, associado a exantema e linfadenopatia cervical. No que tange a principal hipótese diagnóstica desse caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A complicação mais frequente é vasculite de grandes vasos.
  2. B) É incomum a associação com eritema, edema ou descamação de extremidades.
  3. C) As plaquetas costumam estar abaixo de 150.000/mm³.
  4. D) O uso de imunoglobulina em altas doses reduz a formação de aneurisma das coronárias.
  5. E) Não acomete articulações ou sistema digestório. 

Pérola Clínica

Doença de Kawasaki: febre >5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, boca/lábios, exantema, linfadenopatia, extremidades).

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças. O tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) é crucial para prevenir a complicação mais grave: a formação de aneurismas das artérias coronárias.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos, sendo crucial seu reconhecimento precoce para evitar sequelas. A doença é caracterizada por febre prolongada e uma constelação de sintomas mucocutâneos e linfonodais. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada que leva à inflamação e dano endotelial, especialmente nas artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de febre por mais de cinco dias e a presença de pelo menos quatro dos cinco achados clássicos: hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (fissura labial, língua em framboesa), exantema polimorfo, linfadenopatia cervical não supurativa e alterações de extremidades (edema, eritema, descamação). Exames laboratoriais podem mostrar elevação de marcadores inflamatórios. O tratamento padrão ouro consiste na administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em altas doses e aspirina. A IVIG atua modulando a resposta imune e reduzindo a inflamação, diminuindo drasticamente o risco de formação de aneurismas coronarianos. A aspirina é usada inicialmente em altas doses por seu efeito anti-inflamatório e, posteriormente, em baixas doses por seu efeito antiplaquetário. O prognóstico é excelente com tratamento precoce, mas o atraso no diagnóstico e manejo aumenta significativamente o risco de complicações cardíacas permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos da Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por mais de 5 dias e pelo menos quatro dos cinco achados: hiperemia conjuntival bilateral, alterações de lábios e cavidade oral (fissura labial, língua em framboesa), exantema polimorfo, linfadenopatia cervical e alterações de extremidades.

Por que a imunoglobulina é crucial no tratamento da Doença de Kawasaki?

A imunoglobulina intravenosa em altas doses (IVIG) é o tratamento padrão ouro, pois reduz significativamente a inflamação vascular e, consequentemente, a incidência de aneurismas das artérias coronárias, a complicação mais temida da doença.

Qual a complicação mais grave da Doença de Kawasaki e como preveni-la?

A complicação mais grave é a formação de aneurismas das artérias coronárias. A prevenção se dá pelo diagnóstico precoce e início imediato do tratamento com imunoglobulina intravenosa e aspirina.

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