FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024
Um menino de três anos de idade, previamente hígido, foi levado ao pronto atendimento com quadro de febre persistente há cinco dias e, há setenta e duas horas, iniciou hiperemia ocular, lábios rachados e língua vermelha e inchada. A mãe relatou que o paciente estava muito irritado. No exame físico, havia presença de conjuntivite bilateral, língua em morango, exantema difuso em tronco e eritema e edema nas mãos e nos pés. Exames laboratoriais indicavam leucocitose e provas inflamatórias elevadas. Com base nessa situação hipotética e no diagnóstico mais provável, assinale a alternativa que apresenta a conduta terapêutica a ser adotada.
Doença de Kawasaki: febre >5d + ≥4 critérios (conjuntivite, lábios/língua, exantema, mãos/pés, linfadenopatia cervical) → IVIG + AAS.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças. O tratamento precoce com imunoglobulina endovenosa e ácido acetilsalicílico é crucial para prevenir complicações cardíacas graves, como aneurismas de artérias coronárias.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de cinco anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos, sendo crucial seu reconhecimento precoce para evitar sequelas. A doença é caracterizada por febre prolongada (≥ 5 dias) e a presença de pelo menos quatro dos cinco critérios clínicos principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (lábios rachados, língua em morango), exantema polimorfo, alterações de extremidades (eritema e edema de mãos e pés, descamação periungueal) e linfadenopatia cervical. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica desregulada que leva à inflamação da parede dos vasos sanguíneos, especialmente as artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios estabelecidos, e exames laboratoriais podem mostrar leucocitose, elevação de PCR e VHS, e anemia. A suspeita deve ser alta em crianças com febre persistente sem foco aparente e que apresentem os sinais característicos. O tratamento padrão consiste na administração de imunoglobulina endovenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS) em doses anti-inflamatórias, seguido por doses antiplaquetárias. A IVIG reduz a incidência de aneurismas coronarianos, enquanto o AAS controla a inflamação e previne a trombose. O tratamento deve ser iniciado idealmente nos primeiros 10 dias de doença para maximizar a prevenção de complicações cardíacas. O acompanhamento ecocardiográfico é fundamental para monitorar o desenvolvimento de aneurismas.
Os critérios incluem febre por cinco ou mais dias, acompanhada por pelo menos quatro dos cinco achados clínicos: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (lábios rachados, língua em morango), exantema polimorfo, alterações de extremidades (eritema e edema de mãos e pés) e linfadenopatia cervical.
A imunoglobulina endovenosa (IVIG) reduz a inflamação sistêmica e a incidência de aneurismas coronarianos. O ácido acetilsalicílico (AAS) é usado inicialmente em doses anti-inflamatórias para controlar a febre e a inflamação, e posteriormente em doses antiplaquetárias para prevenir a trombose nas artérias coronárias.
A principal complicação é o desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, trombose coronariana, estenose ou ruptura, resultando em morbidade e mortalidade cardíaca significativas na infância e vida adulta.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo