Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Tratamento com IGIV

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar de 3 anos, sexo masculino, é levado pela mãe ao pronto-atendimento com história de febre alta há 11 dias associada a caroço no pescoço que apareceu no terceiro dia de febre e conjuntivite bilateral. Foi examinado, no início do quadro, por pediatra que prescreveu amoxicilina 50 mg/kg/dia, sem melhora. Ao exame físico, encontra-se febril, com adenomegalia cervical à direita medindo 2 cm, sem sinais flogísticos, hiperemia de conjuntiva sem exsudato, edema em mãos e pés, lábios secos com fissuras. Diante da principal hipótese diagnóstica, deve ser instituído rapidamente tratamento com:

Alternativas

  1. A) Outro antibiótico.
  2. B) Antiviral.
  3. C) Imunoglobulina.
  4. D) Antifúngico.

Pérola Clínica

Febre >5 dias + 4/5 critérios Kawasaki (conjuntivite, lábios/mucosa, rash, edema extremidades, adenomegalia) → Doença de Kawasaki, tratar com IGIV.

Resumo-Chave

O quadro clínico da criança (febre prolongada, conjuntivite bilateral não exsudativa, adenomegalia cervical, alterações de extremidades e lábios fissurados) é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica que requer tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IGIV) para prevenir aneurismas coronarianos.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, de etiologia desconhecida, que afeta principalmente artérias de médio calibre, com predileção pelas artérias coronárias. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e a ocorrência de pelo menos quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral, alterações de extremidades (edema e eritema), rash polimorfo e adenomegalia cervical. O caso clínico apresentado (febre alta por 11 dias, adenomegalia cervical, conjuntivite bilateral, edema em mãos e pés, lábios secos com fissuras e falha terapêutica com antibiótico) é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki. O reconhecimento precoce é crucial, pois o tratamento deve ser instituído rapidamente para prevenir a complicação mais temida: a formação de aneurismas de artérias coronárias. O tratamento padrão-ouro para a Doença de Kawasaki é a administração de imunoglobulina intravenosa (IGIV) em dose única, associada a ácido acetilsalicílico (AAS). A IGIV atua modulando a resposta inflamatória e reduzindo a incidência de aneurismas coronarianos de 25% para menos de 5%. A falha em iniciar o tratamento adequado em tempo hábil pode levar a sequelas cardíacas graves e permanentes, ressaltando a importância do conhecimento dessa condição para todos os residentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias, mais 4 dos 5 achados principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (fissuras, língua em framboesa), alterações de extremidades (edema, eritema, descamação), rash polimorfo e adenomegalia cervical >1,5 cm.

Por que a imunoglobulina intravenosa é o tratamento de escolha na Doença de Kawasaki?

A imunoglobulina intravenosa (IGIV) é o tratamento padrão porque reduz significativamente a incidência de aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave da doença, ao modular a resposta inflamatória sistêmica.

Qual a principal complicação da Doença de Kawasaki não tratada?

A principal complicação da Doença de Kawasaki não tratada é o desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia miocárdica e morte súbita, mesmo anos após o episódio agudo.

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