HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023
Lactente de 2 anos de idade com história de febre diária (39ºC) há 7 dias. Refere melhora apenas com dipirona. Há 6 dias lábios avermelhados e erupção no corpo. Há 4 dias olhos vermelhos. Em consulta de Pronto Socorro suspeita de escarlatina. Prescrito penicilina benzatina, sem melhora. Ao exame físico: irritabilidade evidente, língua em framboesa e exantema máculopapular em tronco. Em relação ao caso é correto afirmar que:
Kawasaki: febre > 5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, boca/lábios, exantema, mãos/pés, linfonodo). Principal complicação = aneurisma coronariano.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e achados mucocutâneos. A irritabilidade e a falha ao tratamento para escarlatina são pistas importantes. Sua principal e mais grave complicação é o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, exigindo tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta principalmente crianças pequenas, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. Sua etiologia ainda é desconhecida, mas acredita-se que seja desencadeada por um agente infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos. O reconhecimento precoce é crucial, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente o risco de complicações cardíacas graves. Clinicamente, a doença se manifesta com febre alta e prolongada (por mais de 5 dias), acompanhada de uma constelação de sintomas mucocutâneos, incluindo conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais (lábios eritematosos, fissurados, língua em framboesa), exantema polimorfo, edema e eritema de mãos e pés, e linfadenopatia cervical. A irritabilidade é um achado comum e marcante. O diagnóstico é clínico, baseado nesses critérios, e a exclusão de outras condições com apresentações semelhantes, como a escarlatina, é fundamental. O tratamento padrão-ouro consiste na administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em alta dose, juntamente com aspirina, idealmente nos primeiros 10 dias do início da febre. Essa terapia visa reduzir a inflamação e prevenir a formação de aneurismas das artérias coronárias, a complicação mais temida da doença. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente a Doença de Kawasaki, iniciar o tratamento adequado e monitorar as complicações cardíacas, garantindo um prognóstico favorável para esses pacientes.
O diagnóstico de Doença de Kawasaki requer febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (língua em framboesa, lábios fissurados), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema, eritema) e linfadenopatia cervical unilateral.
A principal e mais grave complicação da Doença de Kawasaki é o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio ou morte súbita. A prevenção se dá com o tratamento precoce, idealmente nos primeiros 10 dias de doença, com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina.
A diferenciação envolve a análise cuidadosa dos critérios diagnósticos e a resposta ao tratamento. A febre prolongada que não cede a antibióticos (como no caso da escarlatina), a irritabilidade proeminente e a combinação específica de achados mucocutâneos (língua em framboesa, conjuntivite sem secreção) são chaves para suspeitar de Kawasaki.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo