UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020
Menina, 05 anos, apresenta quadro de febre diária (até 39°C) iniciada há 07 dias. No segundo dia de febre, a mãe notou redução de aceitação alimentar e levou ao pronto-socorro. Na ocasião, foi feito o diagnóstico de amigdalite e prescrita penicilina benzatina. Desde então, não houve melhora dos sintomas. Há 02 dias, a criança evoluiu com hiperemia conjuntival, sem prurido ou secreção ocular. Hoje pela manhã a criança foi levada novamente ao prontosocorro. No exame clínico de hoje, a criança se encontra em regular estado geral, descorada 1+/4+, febril (38°C). Hiperemia conjuntival bilateral. Notam-se exantema e fissuras labiais. Linfonodo em cadeia cervical anterior direita, com 02cm de diâmetro, móvel, fibroelástico, sem sinais flogísticos. Semiologia pulmonar, cardíaca e abdominal normais. Genitália feminina com discreta hiperemia. Apresenta ainda edema em ambas as mãos, com discreta descamação periungueal. Foram realizados os seguintes exames: Hemograma: Hb 10,7g/dl; Ht 33,4%; Leucócitos 13240/mm3; Linfócitos 47,4%; Monócitos 17,3% Eosinófilos 2,6%; Segmentados 32,7%; Plaquetas 800.000/mm3. Urina tipo I: pH 6,8; Densidade 1,015; Bactérias negativa; Nitrito negativo; Leucócitos +++; Hemácias +++. Qual outro exame complementar está indicado para o caso?
Febre >5 dias + 4/5 critérios de Kawasaki (conjuntivite, boca/lábios, exantema, linfonodo, extremidades) → Ecocardiograma.
O quadro clínico da criança, com febre prolongada (>5 dias) e múltiplos critérios (conjuntivite, fissuras labiais, exantema, linfonodomegalia, edema de mãos com descamação periungueal), é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki. O ecodopplercardiograma é essencial para avaliar o acometimento coronariano, a complicação mais grave.
A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda da infância, de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são vitais para prevenir a complicação mais séria: a formação de aneurismas das artérias coronárias, que pode levar a infarto do miocárdio, isquemia e morte súbita. O diagnóstico da DK é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e quatro dos cinco critérios principais: hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (lábios eritematosos, fissurados, língua em 'framboesa'), exantema polimorfo, alterações de extremidades (eritema e edema de mãos e pés na fase aguda, descamação periungueal na fase subaguda) e linfadenopatia cervical não supurativa. A trombocitose e o aumento dos marcadores inflamatórios são achados laboratoriais comuns. O tratamento padrão da DK consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses na fase aguda, seguido por baixas doses na fase subaguda. O ecodopplercardiograma é um exame complementar indispensável, realizado no diagnóstico e em acompanhamentos seriados, para monitorar o envolvimento coronariano. O manejo precoce reduz significativamente o risco de aneurismas coronarianos e melhora o prognóstico a longo prazo.
A Doença de Kawasaki é diagnosticada pela presença de febre por 5 dias ou mais, associada a pelo menos 4 dos 5 critérios principais: hiperemia conjuntival bilateral, alterações de lábios/cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical.
O ecodopplercardiograma é crucial para avaliar o acometimento das artérias coronárias, que é a complicação mais grave da Doença de Kawasaki, podendo levar à formação de aneurismas e risco de infarto do miocárdio.
As alterações laboratoriais comuns incluem leucocitose com desvio à esquerda, aumento de VHS e PCR, anemia e, classicamente, trombocitose (plaquetas elevadas) na segunda semana da doença, como visto no caso.
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