Doença de Kawasaki: Diagnóstico, Tratamento e Complicações Cardíacas

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021

Enunciado

Menino de 4 anos de idade apresenta febre alta e de difícil controle há 6 dias, associada a exantema macular disseminado, eritema conjuntival bilateral, enantema de mucosa oral e edema de pés e mãos. Ao exame físico, regular estado geral, ausência de secreção ocular, com gânglio cervical, de 2 cm de diâmetro do lado direito. Com base no caso descrito, assinale a alternativa que contem a primeira escolha de tratamento e uma complicação para a principal hipótese diagnóstica

Alternativas

  1. A) Penicilina G benzatina / abscesso retrofaríngeo.
  2. B) Ganciclovir / hepatite.
  3. C) Imunoglobulina humana endovenosa / aneurisma de artéria coronária.
  4. D) Sintomáticos / hemorragia.
  5. E) Metilprednisolona endovenosa / endocardite.

Pérola Clínica

Febre > 5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, exantema, adenopatia, alterações orais, edema extremidades) → Doença de Kawasaki.

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e inflamação mucocutânea. A complicação mais temida é o aneurisma de artéria coronária, prevenido com tratamento precoce com imunoglobulina humana endovenosa (IGEV) e aspirina.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. O reconhecimento precoce é fundamental, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente o risco de complicações cardiovasculares graves, especialmente os aneurismas de artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais (eritema, fissuras labiais, língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações de extremidades (eritema e edema de mãos e pés, descamação periungueal na fase de convalescença) e linfadenopatia cervical não supurativa. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada que leva à inflamação da parede dos vasos sanguíneos, com predileção pelas artérias coronárias. O tratamento de primeira linha consiste na administração de imunoglobulina humana endovenosa (IGEV) em dose única, que atua como imunomodulador, e aspirina em dose anti-inflamatória, seguida de dose antiplaquetária. O objetivo principal é reduzir a inflamação e prevenir a formação de aneurismas coronarianos. O acompanhamento ecocardiográfico é essencial para monitorar as artérias coronárias e detectar precocemente qualquer alteração. O prognóstico é bom na maioria dos casos tratados precocemente, mas pacientes com aneurismas requerem acompanhamento cardiológico a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por 5 dias ou mais, associada a pelo menos 4 dos 5 achados: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais (língua em framboesa, eritema), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema, eritema, descamação) e linfadenopatia cervical.

Qual é o tratamento de primeira linha para a Doença de Kawasaki e por que é urgente?

O tratamento de primeira linha é a imunoglobulina humana endovenosa (IGEV) em dose única, associada à aspirina. É urgente para reduzir o risco de desenvolver aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave.

Qual a complicação mais grave da Doença de Kawasaki e como é monitorada?

A complicação mais grave é o aneurisma de artéria coronária, que pode levar a infarto do miocárdio, isquemia e morte súbita. É monitorada por ecocardiograma seriado durante o curso da doença e no acompanhamento.

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