HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2021
Uma criança de 4 anos de idade é internada na enfermaria em razão de quadro de febre alta (40 ºC), extrema irritabilidade há seis dias, conjuntivite não purulenta, língua em framboesa, eritema de orofaringe, fissuras e eritema labial, e edema de mãos e pés com descamação periungueal. Apresenta precórdio hiperdinâmico com taquicardia e sopro pansistólico, FC = 120 bpm, TAX = 40 ºC, SatO2 = 97% e FR = 32 irpm. No exame laboratorial, identifica-se trombocitose.Nesse caso clínico, o diagnóstico mais provável é
Kawasaki: febre >5d + 4/5 critérios (conjuntivite, boca/lábios, extremidades, rash, linfonodo) + trombocitose + risco coronariano.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e uma constelação de achados mucocutâneos e de extremidades, como conjuntivite não purulenta, língua em framboesa, eritema/edema de mãos e pés com descamação periungueal, e frequentemente trombocitose. O principal risco é o desenvolvimento de aneurismas coronarianos.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente crianças pequenas, geralmente com menos de 5 anos de idade. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. A importância clínica reside no risco de desenvolver aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia e morte súbita. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir essas complicações. O diagnóstico da Doença de Kawasaki é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos cinco dias e quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações da orofaringe (língua em framboesa, eritema, fissuras labiais), alterações das extremidades (edema e eritema agudos, descamação periungueal subaguda), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical. Achados laboratoriais como trombocitose (na fase subaguda), elevação de VHS e PCR, e leucocitose são comuns. O precórdio hiperdinâmico e o sopro pansistólico podem indicar envolvimento cardíaco, como insuficiência mitral ou miocardite. O tratamento padrão-ouro envolve a administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses na fase aguda, seguido por doses baixas de AAS por várias semanas ou meses. O ecocardiograma é essencial para monitorar o envolvimento coronariano. A intervenção precoce com IVIG reduz significativamente o risco de aneurismas coronarianos. Residentes devem estar atentos a essa condição para evitar atrasos no diagnóstico e tratamento, que podem ter consequências cardíacas graves e permanentes.
O diagnóstico requer febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações de lábios e cavidade oral (língua em framboesa, eritema orofaríngeo, lábios fissurados), alterações de extremidades (edema, eritema, descamação periungueal), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical.
A principal complicação é o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias. A prevenção é feita com o tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses na fase aguda.
A trombocitose é uma resposta inflamatória de fase aguda, geralmente observada na segunda ou terceira semana da doença. É um marcador de inflamação sistêmica e, embora não seja um critério diagnóstico primário, é um achado laboratorial importante que auxilia na suspeita.
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