Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Tratamento Essencial

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023

Enunciado

Criança de 2 anos, sexo masculino, previamente hígido, é levado a uma consulta hospitalar com um pediatra por apresentar há 7 dias quadro de febre (38-39°C) remitente, surgimento de um caroço em região cervical, unilateral. Lesão de pele tipo rash maculopapular difuso. Familiares ainda notaram dedos das mãos e pés com edema e dolorosos. Exame físico realizado mostrou criança regular estado geral, irritado ao manuseio, exantema maculopapular difuso, mais intenso em região do tronco e extremidades, linfadenopatia cervical direita de 3cm, não supurativo, hiperemia ocular bilateral e presença de hiperemia importante de orofaringe à oroscopia, lábios com hiperemia e fissura, além de edemas de mãos e pés. Hemograma realizado pela família mostrou leucocitose com neutrofilia. Considerando o caso apresentado, a MELHOR conduta para esse paciente é de: 

Alternativas

  1. A) Iniciar imunoglobulina endovenosa + Ácido Acetil Salicílico (AAS).
  2. B) Iniciar prednisona + anti-histamínico oral.
  3. C) Iniciar cefazolina por 7 dias.
  4. D) Iniciar oxacilina + amicacina.

Pérola Clínica

Febre > 5 dias + 4/5 critérios (rash, linfonodo, conjuntivite, boca/lábios, extremidades) em criança < 5 anos → Doença de Kawasaki.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre prolongada, rash, linfadenopatia cervical, alterações de mucosas e extremidades em uma criança é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica que requer tratamento precoce para prevenir aneurismas coronarianos.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. Sua importância clínica reside na potencial complicação de aneurismas das artérias coronárias, que podem ter consequências graves a longo prazo, incluindo infarto do miocárdio e morte súbita. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir essas sequelas. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e a ocorrência de pelo menos quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações na orofaringe (lábios eritematosos e fissurados, língua em framboesa), rash polimorfo, linfadenopatia cervical (geralmente unilateral) e alterações nas extremidades (eritema e edema das mãos e pés, seguido por descamação periungueal). Exames laboratoriais, como leucocitose com neutrofilia, elevação de PCR e VHS, e trombocitose na fase subaguda, são achados de suporte. A conduta terapêutica padrão ouro consiste na administração de imunoglobulina endovenosa (IVIG) em dose única, que atua modulando a resposta inflamatória, e Ácido Acetil Salicílico (AAS). O AAS é inicialmente administrado em altas doses para seu efeito anti-inflamatório e, após a defervescência, em baixas doses por seu efeito antiplaquetário. O tratamento deve ser iniciado idealmente nos primeiros 10 dias de doença para maximizar a prevenção de aneurismas coronarianos. O acompanhamento ecocardiográfico é essencial para monitorar a saúde das artérias coronárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

O diagnóstico de Doença de Kawasaki exige febre por pelo menos 5 dias, associada a 4 dos 5 critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orofaríngeas (lábios fissurados, língua em framboesa), rash polimorfo, linfadenopatia cervical e alterações de extremidades (edema, eritema, descamação).

Por que a imunoglobulina endovenosa e o AAS são a melhor conduta na Doença de Kawasaki?

A imunoglobulina endovenosa (IVIG) reduz a inflamação sistêmica e diminui significativamente o risco de aneurismas coronarianos. O Ácido Acetil Salicílico (AAS) é usado inicialmente em altas doses por seu efeito anti-inflamatório e, posteriormente, em baixas doses por seu efeito antiplaquetário, prevenindo trombose.

Qual a principal complicação da Doença de Kawasaki não tratada?

A principal e mais grave complicação da Doença de Kawasaki não tratada é o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia miocárdica e até morte súbita em crianças.

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