Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Tratamento Imediato

FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Menor, 4 anos, chega com quadro de febre, odinofagia, língua em framboesa e linfonodomegalia cervical unilateral há cerca de 24 horas. É feito diagnóstico de amigdalite e prescrito amoxacilina. Após 72 horas de antibiótico ainda mantém a febre . Ao exame, edema de mãos e pés e rash maculopapular. Com base na provável hipótese diagnóstica, qual a medicação que deve ser prescrita de imediato:

Alternativas

  1. A) Amoxacilina + clavulanato 
  2. B) AAS
  3. C) Azitromicina
  4. D) Prednisolona 

Pérola Clínica

Febre > 5 dias + 4/5 critérios (rash, conjuntivite, linfonodo, boca/língua, extremidades) → Doença de Kawasaki → AAS + IVIG.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre prolongada (> 5 dias) refratária a antibióticos, associada a língua em framboesa, linfonodomegalia, rash e edema de extremidades, é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki. O tratamento inicial inclui Ácido Acetilsalicílico (AAS) em dose anti-inflamatória e imunoglobulina intravenosa (IVIG) para prevenir aneurismas coronarianos.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de febre por pelo menos cinco dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais (língua em framboesa, lábios rachados), alterações de extremidades (edema e eritema de mãos e pés), rash polimorfo e linfonodomegalia cervical unilateral. O caso descrito, com febre persistente após 72 horas de antibiótico para amigdalite, língua em framboesa, linfonodomegalia, rash e edema de mãos e pés, é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível para prevenir as complicações cardíacas, sendo a terapia padrão a imunoglobulina intravenosa (IVIG) e o Ácido Acetilsalicílico (AAS). O AAS é administrado inicialmente em doses anti-inflamatórias para controlar a febre e a inflamação, e posteriormente em doses antiplaquetárias para prevenir a formação de trombos nas artérias coronárias, especialmente se houver aneurismas. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para o prognóstico, e o residente deve estar apto a identificar essa condição e iniciar a conduta correta.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos da Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias e a presença de 4 dos 5 seguintes: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais (língua em framboesa, lábios rachados), alterações de extremidades (edema, eritema), rash polimorfo e linfonodomegalia cervical.

Por que o AAS é essencial no tratamento da Doença de Kawasaki?

O AAS é usado em altas doses na fase aguda por seu efeito anti-inflamatório para controlar a febre e a inflamação sistêmica, e em baixas doses na fase subaguda por seu efeito antiplaquetário para prevenir trombose em aneurismas coronarianos.

Qual a principal complicação da Doença de Kawasaki não tratada?

A principal e mais grave complicação da Doença de Kawasaki não tratada é o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia ou morte súbita.

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