HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 4 anos apresenta febre alta há 6 dias, associada a exantema maculopapular generalizado, hiperemia conjuntival bilateral e linfadenopatia cervical de 2 cm. O pediatra iniciou amoxicilina há 48 horas, sem melhora dos sintomas. A criança também apresenta irritabilidade intensa e edema no dorso das mãos e dos pés. O hemograma revela leucocitose com neutrofilia e trombocitose. O diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, é:
Febre >5d + 4/5 critérios (conjuntivite, rash, linfadenopatia, edema mãos/pés, boca) + irritabilidade = Doença de Kawasaki.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e uma constelação de sintomas mucocutâneos. A irritabilidade intensa e o edema de mãos e pés são achados clínicos importantes que, juntamente com os critérios diagnósticos, devem levantar a suspeita.
A Doença de Kawasaki é a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos, sendo uma vasculite sistêmica aguda que afeta principalmente vasos de médio calibre. Sua etiologia é desconhecida, mas acredita-se que seja desencadeada por um agente infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos, levando a uma resposta imune desregulada. A importância de seu reconhecimento reside na prevenção de complicações cardiovasculares graves. O diagnóstico da Doença de Kawasaki é clínico, baseado na presença de febre prolongada (≥ 5 dias) e em pelo menos quatro dos cinco critérios principais: hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, alterações de lábios e cavidade oral (ex: lábios eritematosos e fissurados, língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações de extremidades (ex: eritema e edema de mãos e pés, descamação periungueal) e linfadenopatia cervical (>1,5 cm, geralmente unilateral). A irritabilidade intensa é um achado comum e sugestivo. O tratamento precoce, idealmente nos primeiros 10 dias de febre, com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS), é crucial para reduzir o risco de aneurismas de artérias coronárias. O acompanhamento cardiológico é fundamental para monitorar a função cardíaca e a presença de aneurismas. A doença pode apresentar-se de forma incompleta, tornando o diagnóstico mais desafiador e exigindo alto índice de suspeita.
Os critérios incluem febre por 5 dias ou mais, acompanhada de 4 dos 5 achados: hiperemia conjuntival bilateral, alterações de lábios e cavidade oral, exantema, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical.
É uma emergência devido ao risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia e morte súbita se não tratada precocemente.
O tratamento padrão consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) em alta dose e ácido acetilsalicílico (AAS), visando reduzir a inflamação e prevenir as complicações cardíacas.
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