Doença de Kawasaki: Critérios Diagnósticos e Conduta

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

V.A.A., sexo masculino, 5 anos, iniciou quadro de febre diária há 6 dias, odinofagia, linfonodos submandibulares e prostração. Procurou atendimento médico há 3 dias, quando foi diagnosticado com tonsilite e prescrito Amoxicilina. Paciente evoluiu com piora do quadro mesmo em uso de medicação. Procurou novo atendimento hoje. Exame físico; discreto edema em pálpebras superiores, hiperemia de conjuntivas, febril, com linfonodos cervicais aumentados, faringite exsudativa e erupção cutânea macular eritematosa leve no tronco e nos braços. O diagnóstico e conduta nesse caso são:

Alternativas

  1. A) Faringite estreptocócica – trocar antibiótico para Amoxicilina+Clavulanato.
  2. B) Linfoma Não-Hodgkin – iniciar quimioterapia.
  3. C) Mononucleose infecciosa – sintomáticos.
  4. D) Difteria – penicilina cristalina venosa.
  5. E) Doença de Kawasaki – imunoglobulina venosa e AAS.

Pérola Clínica

Febre ≥ 5 dias + 4 critérios (conjuntivite, alteração oral, exantema, extremidades, linfonodo) = Kawasaki.

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite de médios vasos. O diagnóstico é clínico e a intervenção precoce com IGIV é vital para prevenir aneurismas coronarianos.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças em países desenvolvidos. Trata-se de uma vasculite sistêmica aguda que afeta preferencialmente as artérias coronárias. Embora a etiologia exata permaneça desconhecida, acredita-se em uma resposta imunológica exacerbada a um gatilho infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos. O reconhecimento precoce é um desafio, pois os sintomas podem aparecer de forma sequencial. O edema palpebral e a hiperemia conjuntival sem secreção são pistas valiosas. O tratamento com IGIV reduz o risco de aneurismas para menos de 5%. Médicos devem manter alto índice de suspeição em lactentes e crianças com febre prolongada sem foco definido que não respondem a antibióticos comuns.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos clássicos para Kawasaki?

O diagnóstico da Doença de Kawasaki é eminentemente clínico. O critério obrigatório é a presença de febre alta por pelo menos 5 dias, associada a pelo menos 4 de 5 critérios adicionais: 1) Alterações nas extremidades (edema/eritema de mãos e pés ou descamação periungueal); 2) Exantema polimorfo; 3) Conjuntivite bilateral não exsudativa; 4) Alterações nos lábios e cavidade oral (língua em morango, fissuras labiais); 5) Linfonodopatia cervical (geralmente única e >1,5 cm). Em casos incompletos, achados laboratoriais e ecocardiográficos podem auxiliar no diagnóstico.

Por que o uso de Amoxicilina pode confundir o diagnóstico?

Muitas crianças com Kawasaki são inicialmente diagnosticadas com faringite bacteriana e recebem Amoxicilina. O surgimento de um exantema após o uso do antibiótico pode levar o médico a suspeitar erroneamente de uma reação alérgica ou de Mononucleose Infecciosa. No entanto, na Doença de Kawasaki, a febre persiste apesar do antibiótico e os outros critérios (como conjuntivite e edema de pálpebras/extremidades) tornam-se mais evidentes, diferenciando-a de quadros virais ou reações medicamentosas simples.

Qual a principal complicação e como preveni-la?

A complicação mais grave da Doença de Kawasaki é a formação de aneurismas das artérias coronárias, que ocorre em até 25% das crianças não tratadas. Para prevenir essa sequela, o tratamento padrão-ouro deve ser iniciado preferencialmente até o 10º dia de febre, consistindo na administração de Imunoglobulina Venosa (IGIV) em dose única (2g/kg) associada ao Ácido Acetilsalicílico (AAS) em doses anti-inflamatórias iniciais. O acompanhamento com ecocardiogramas seriados é essencial para monitorar a integridade das coronárias.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo