FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Criança do sexo masculino, previamente hígida, 3 anos e 6 meses de idade, foi levada ao pronto-socorro com quadro de febre há 5 dias, persistente e associada à irritabilidade. No segundo dia de febre, evoluiu com hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa e exantema máculopapular difuso, inicialmente no tronco. No quarto dia de sintomas, o cuidador notou fissuras nos lábios e edema em mãos. Ao exame físico, observou-se adenomegalia cervical. Considerando esse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a principal hipótese diagnóstica.
Febre ≥5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, oral, extremidades, exantema, linfonodo) = Kawasaki.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite de médios vasos com predileção por artérias coronárias. O diagnóstico é clínico e o tratamento precoce com IGIV reduz drasticamente o risco de aneurismas coronarianos.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda e autolimitada que afeta preferencialmente crianças menores de 5 anos. Embora sua etiologia exata permaneça desconhecida, acredita-se que seja desencadeada por um agente infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos, resultando em uma resposta imune exacerbada. É a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças em países desenvolvidos. A doença evolui em três fases: aguda (febril, com as manifestações clínicas clássicas), subaguda (resolução da febre, início da descamação e risco máximo de aneurismas) e convalescença (normalização dos exames laboratoriais). O ecocardiograma é o exame de imagem fundamental para o seguimento, devendo ser realizado no diagnóstico, em 2 semanas e em 6-8 semanas após o início da doença para monitorar o diâmetro das coronárias.
O diagnóstico da Doença de Kawasaki é clínico. O critério obrigatório é febre persistente por pelo menos 5 dias. Além da febre, o paciente deve apresentar pelo menos 4 dos seguintes 5 critérios: 1) Alterações nas extremidades (edema/eritema de mãos e pés na fase aguda ou descamação periungueal na fase subaguda); 2) Exantema polimorfo (geralmente maculopapular, no tronco); 3) Hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa; 4) Alterações labiais e da cavidade oral (fissuras labiais, língua em morango, eritema de orofaringe); 5) Linfonodomegalia cervical (geralmente unilateral, > 1,5 cm).
A complicação mais grave são os aneurismas das artérias coronárias, que ocorrem em até 25% das crianças não tratadas. Esses aneurismas podem levar a infarto agudo do miocárdio, estenoses ou morte súbita. A prevenção é feita com a administração precoce de Imunoglobulina Intravenosa (IGIV) na dose de 2g/kg em infusão única, idealmente até o 10º dia de febre. O uso de IGIV reduz o risco de aneurismas para menos de 5%. O ácido acetilsalicílico (AAS) também é utilizado, inicialmente em doses anti-inflamatórias e, posteriormente, em doses antiagregantes.
A Doença de Kawasaki Incompleta ocorre quando o paciente apresenta febre por 5 dias ou mais, mas possui apenas 2 ou 3 dos critérios clínicos clássicos. Nesses casos, o diagnóstico é desafiador e baseia-se em achados laboratoriais sugestivos (como anemia, trombocitose após a 2ª semana, aumento de provas de atividade inflamatória - VHS e PCR, hipoalbuminemia e piúria estéril) ou na evidência de alterações coronarianas no ecocardiograma. É mais comum em lactentes jovens, que também apresentam maior risco de complicações cardíacas.
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