IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2021
Uma menina de três anos foi levada a seu consultório para reavaliação de uma febre iniciada 6 dias antes. Sua mãe relatou que a temperatura se mantém alta (39ºC). O seu exame físico revelava hiperemia de conjuntivas, lábios vermelhos e rachados, língua em framboesa e adenomegalia cervical indolor. Relato de vários familiares com infecção por COVID-19 há 3 semanas, porém ela permaneceu assintomática neste período. Você diz à mãe que o diagnóstico provável é de Doença de Kawasaki. A instrução mais apropriada para ser dada a essa mãe é:
Doença de Kawasaki → tratamento imediato com IVIG para prevenir aneurismas de coronária.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda em crianças, e o tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) é crucial para reduzir o risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave da doença.
A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida que afeta principalmente crianças pequenas, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. Caracteriza-se por febre prolongada e uma série de manifestações mucocutâneas e linfáticas. A recente associação com infecções virais, como o COVID-19 (Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica - SIM-P), tem aumentado a atenção sobre esta condição. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória desregulada que leva à inflamação dos vasos sanguíneos, com predileção pelas artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios específicos que incluem febre por pelo menos 5 dias e a presença de 4 dos 5 achados clínicos clássicos (conjuntivite, alterações orais, exantema, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical). A suspeita deve ser alta em crianças com febre prolongada sem foco aparente. O tratamento da Doença de Kawasaki é uma emergência pediátrica. A terapia padrão consiste na administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e aspirina em dose anti-inflamatória, seguida de dose antiplaquetária. O tratamento deve ser iniciado idealmente nos primeiros 10 dias de febre para reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave e potencialmente fatal da doença. O acompanhamento ecocardiográfico é fundamental para monitorar o envolvimento cardíaco.
Os critérios incluem febre por 5 ou mais dias, acompanhada de pelo menos 4 dos 5 achados: hiperemia conjuntival bilateral, alterações de lábios e cavidade oral (língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações de extremidades e adenomegalia cervical.
A principal complicação é o desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias. É prevenida com o tratamento precoce, idealmente nos primeiros 10 dias de febre, com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina.
O ecocardiograma é essencial para avaliar o envolvimento cardíaco, especialmente a presença e evolução de dilatações ou aneurismas das artérias coronárias, sendo repetido em diferentes fases da doença para monitoramento.
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