Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Sinais Chave em Pediatria

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, de 4 anos e 6 meses é levado ao pronto-socorro com febre alta, persistente há 6 dias. Há uma semana retornou de uma viagem da Europa. Os pais relatam que ele tem estado bastante irritado e apresenta vermelhidão nos olhos. Durante o exame físico, o médico observa língua “em morango”, lábios edemaciados e rachados, eritema nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de uma erupção cutânea maculopapular no tronco. Não há sinais de infecção respiratória ou gastrointestinal. Os exames laboratoriais revelam leucocitose com neutrofilia, elevação da proteína C-reativa (PCR) e da velocidade de hemossedimentação (VHS). Com base no caso clínico, qual é o diagnóstico mais provável para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Escarlatina.
  2. B) Síndrome de Stevens-Johnson.
  3. C) Doença de Kawasaki.
  4. D) Sarampo.
  5. E) Artrite Idiopática Juvenil forma Sistêmica.

Pérola Clínica

Febre >5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, boca, extremidades, rash, linfonodo) → Doença de Kawasaki.

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e uma constelação de achados mucocutâneos. O diagnóstico é clínico e a suspeita precoce é crucial para prevenir a complicação mais grave: o aneurisma de artéria coronária.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki (DK) é a vasculite sistêmica mais comum da infância, afetando principalmente crianças menores de 5 anos. É uma condição inflamatória aguda que, se não tratada, pode levar a complicações cardíacas graves, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. A etiologia exata é desconhecida, mas acredita-se que seja uma resposta imune aberrante a um gatilho infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos. O diagnóstico da DK é eminentemente clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações orais (língua em morango, lábios rachados), alterações periféricas das extremidades (eritema, edema, descamação), rash polimorfo e linfadenopatia cervical. Exames laboratoriais mostram marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS, leucocitose com neutrofilia). A suspeita deve ser alta em crianças com febre prolongada e estes achados, especialmente após exclusão de outras causas infecciosas. O tratamento da Doença de Kawasaki é uma emergência pediátrica e deve ser iniciado o mais rápido possível para prevenir a formação de aneurismas coronarianos. A terapia padrão consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e aspirina em altas doses na fase aguda, seguida por doses menores na fase de convalescença. O acompanhamento ecocardiográfico é essencial para monitorar a saúde das artérias coronárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os principais critérios incluem febre por pelo menos 5 dias, conjuntivite bilateral não purulenta, alterações orais (língua em morango, lábios rachados), alterações nas extremidades (eritema, edema, descamação), rash polimorfo e linfadenopatia cervical.

Qual a complicação mais grave da Doença de Kawasaki e como preveni-la?

A complicação mais grave é o aneurisma de artéria coronária. A prevenção é feita com tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina em altas doses.

Como diferenciar a Doença de Kawasaki da escarlatina?

Embora ambas possam apresentar língua em morango e rash, a escarlatina tem rash 'lixa' e não apresenta conjuntivite bilateral ou as alterações específicas das extremidades vistas na Kawasaki. A etiologia também é diferente (estreptococo na escarlatina).

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