UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023
Jardel, 4 anos, dá entrada na Emergência Pediátrica com história de febre há 6 dias, associada a aumento de volume em região do pescoço. No exame físico: febril (Tax: 38,5°C), com linfonodomegalia única, fibroelástica, medindo 2 ,5 cm, em região cervical anterior esquerda. Rash cutâneo maculopapular disseminado pelo corpo, com enantema importante em língua e hiperemia conjuntival e em escleras, além de edema em mãos e pés. No hemograma: Hb: 9,0; Leuco: 19.000(Bastões: 1%; Segmentados: 55%); Plaquetas: 850.000. PCR: 250. EAS: com leucocitúria. Baseado no caso, assinale a alternativa CORRETA.
Febre >5 dias + 4/5 critérios Kawasaki (rash, conjuntivite, linfonodo, edema, língua) + PCR ↑ + plaquetose → Doença de Kawasaki → IGIV 2g/kg + AAS.
O caso descreve classicamente a Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e pelo menos 4 dos 5 critérios clínicos principais. O tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa e AAS é crucial para prevenir a complicação mais grave, o aneurisma de artéria coronária.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta principalmente crianças menores de 5 anos, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações orais (lábios eritematosos e fissurados, língua em framboesa), alterações nas extremidades (edema e eritema de mãos e pés, descamação periungueal), rash polimorfo e linfonodomegalia cervical. O caso de Jardel se encaixa perfeitamente nos critérios, com febre há 6 dias, linfonodomegalia, rash maculopapular, enantema em língua, hiperemia conjuntival e edema em mãos e pés. Os exames laboratoriais, como leucocitose com desvio, plaquetose (tardia, mas já elevada) e PCR muito elevado, corroboram o quadro inflamatório sistêmico. A leucocitúria pode ser uma manifestação da vasculite renal. O tratamento é uma emergência pediátrica e deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente nos primeiros 10 dias de doença, para prevenir a principal complicação: o aneurisma de artérias coronárias. A terapia padrão ouro consiste em imunoglobulina intravenosa (IGIV) na dose de 2 g/kg em dose única, associada ao ácido acetilsalicílico (AAS) em dose anti-inflamatória (30-50 mg/kg/dia) inicialmente, e posteriormente em dose antiagregante (3-5 mg/kg/dia) por várias semanas ou meses, dependendo da evolução e presença de aneurismas.
Os critérios incluem febre por 5 dias ou mais, associada a pelo menos 4 dos 5 seguintes: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações em lábios e cavidade oral (língua em framboesa), alterações em extremidades (edema, eritema), rash polimorfo e linfonodomegalia cervical.
O tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IGIV) e ácido acetilsalicílico (AAS) é fundamental para reduzir o risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave da doença.
O AAS é usado inicialmente em dose anti-inflamatória para controlar a inflamação e a febre, e posteriormente em dose antiagregante plaquetária para prevenir a trombose coronariana, especialmente se houver aneurismas.
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