Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Sinais Clínicos

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

J.P.S., sexo masculino, 2 anos de idade, tem história de febre (38,5 °C) há sete dias. A mãe notou também o aparecimento de vermelhidão nas mãos e nos pés, manchas no tronco, e olhos vermelhos. Procurou a Unidade de Pronto Atendimento para elucidação diagnóstica. Ao exame físico, foi observado eritema, edema e descamação em mãos e pés, exantema maculopapular em tronco e extremidades, hipertrofia de papilas linguais, hiperemia ocular e linfonodo cervical de 2,0 cm de diâmetro, indolor e fibroelástico. Em relação à hipótese diagnóstica mais provável, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A linfonodomegalia cervical não é critério diagnóstico, mas quando presente, é muito sugestiva da doença.
  2. B) O envolvimento da artéria coronária é critério necessário para o diagnóstico da doença.
  3. C) A hiperemia conjuntival é geralmente purulenta e bilateral acompanhada de fotofobia e dor ocular.
  4. D) O exantema presente nesta doença pode ser do tipo escarlatiniforme e evoluir para descamação.
  5. E) A elevação das provas de atividade inflamatória, como VHS e proteína C-reativa, faz parte dos critérios diagnósticos.

Pérola Clínica

Doença de Kawasaki: febre >5 dias + 4/5 critérios (exantema, conjuntivite, boca/língua, mãos/pés, linfonodo).

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e uma constelação de achados mucocutâneos. O reconhecimento precoce é crucial para prevenir complicações cardíacas, como aneurismas de artérias coronárias.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos, sendo crucial seu reconhecimento precoce para evitar sequelas. A DK é caracterizada por uma inflamação generalizada dos vasos sanguíneos, com predileção pelas artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre prolongada e um conjunto de critérios mucocutâneos. A suspeita deve surgir em qualquer criança com febre persistente por mais de 5 dias sem foco aparente e que apresente pelo menos quatro dos cinco critérios clássicos: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações de lábios e cavidade oral (língua em framboesa, lábios eritematosos e fissurados), exantema polimorfo, alterações de extremidades (eritema e edema de mãos e pés, seguido por descamação perianal e nas pontas dos dedos) e linfadenopatia cervical unilateral. O tratamento padrão é a imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única, associada a ácido acetilsalicílico (AAS). A IVIG reduz significativamente o risco de aneurismas coronarianos. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a monitorização cardíaca é essencial, especialmente em casos de envolvimento coronariano. A DK é um desafio diagnóstico devido à sua apresentação inespecífica inicial, exigindo alta suspeição clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos da Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco achados principais: alterações de extremidades, exantema polimorfo, alterações orofaríngeas, conjuntivite bilateral não purulenta e linfadenopatia cervical.

Por que a Doença de Kawasaki é considerada uma emergência pediátrica?

É uma emergência devido ao risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, uma complicação grave que pode levar a infarto do miocárdio, isquemia ou morte súbita se não tratada precocemente.

Como o exantema da Doença de Kawasaki se manifesta e evolui?

O exantema é polimorfo, podendo ser maculopapular, escarlatiniforme, urticariforme ou eritema multiforme-like. Geralmente aparece nos primeiros dias de febre e pode evoluir para descamação perianal e, posteriormente, nas pontas dos dedos das mãos e pés.

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