Doença de Kawasaki: Tratamento e Cuidados Pós-Imunoglobulina

Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015

Enunciado

Com relação ao tratamento da criança com Doença de Kawasaki, marque a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) A vacinação para sarampo, varicela e rubéola poderá ser realizada após 1 mês da administração da imunoglobulina.
  2. B) Na fase aguda, preconiza-se a gamaglobulina endovenosa na dose de 2g/K g em infusão única por 8 a 12 h.
  3. C) Apesar de crianças com varicela ou influenza que usam salicilatos em dose anti- inflamatória terem risco de desenvolver a síndrome de Reye, o uso em dose antiplaquetária não tem risco definido.
  4. D) A gamaglobulina endovenosa associada ao ácido acetilsalicílico em altas doses reduz a prevalência das alterações coronarianas em aproximadamente 25 a 30%.
  5. E) Os corticoides não são indicados como primeira escolha, mas podem ser usados quando o paciente não responde a duas infusões de imuniglobulina.

Pérola Clínica

Pós-IGEV para Kawasaki: adiar vacinas de vírus vivos (sarampo, varicela, rubéola) por 11 meses.

Resumo-Chave

A imunoglobulina endovenosa (IGEV) contém anticorpos que podem interferir na resposta imunológica às vacinas de vírus vivos atenuados. Por isso, é crucial adiar a vacinação para sarampo, caxumba, rubéola (SCR) e varicela por um período prolongado (geralmente 11 meses) após a administração da IGEV.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e inflamação de vasos sanguíneos, com risco de aneurismas coronarianos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças em países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios específicos, e o tratamento precoce é fundamental para prevenir complicações. O tratamento padrão ouro na fase aguda consiste em imunoglobulina endovenosa (IGEV) na dose de 2g/kg em infusão única e ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses na fase febril, seguido por doses baixas antiplaquetárias. O objetivo é reduzir a inflamação e prevenir as complicações coronarianas. O AAS em dose antiplaquetária tem baixo risco de Síndrome de Reye, ao contrário das doses anti-inflamatórias. Após a IGEV, a vacinação com vírus vivos atenuados (sarampo, caxumba, rubéola, varicela) deve ser adiada por 11 meses devido à interferência dos anticorpos passivamente adquiridos. Corticoides são reservados para casos refratários à IGEV, quando o paciente não responde a uma ou duas infusões de imunoglobulina.

Perguntas Frequentes

Qual a dose recomendada de imunoglobulina endovenosa para Doença de Kawasaki?

Na fase aguda da Doença de Kawasaki, preconiza-se a gamaglobulina endovenosa na dose de 2g/Kg em infusão única, administrada por 8 a 12 horas. Essa dose é eficaz na redução da prevalência de alterações coronarianas.

Por que é necessário adiar a vacinação após a administração de IGEV na Doença de Kawasaki?

A IGEV contém anticorpos que podem neutralizar os vírus atenuados presentes nas vacinas de vírus vivos (como sarampo, caxumba, rubéola e varicela), comprometendo a imunização. Por isso, a vacinação deve ser adiada por aproximadamente 11 meses para garantir uma resposta imune adequada.

Quais são as indicações para o uso de corticoides na Doença de Kawasaki?

Os corticoides não são a primeira escolha no tratamento da Doença de Kawasaki. Eles são indicados principalmente para pacientes que não respondem à terapia inicial com IGEV, sendo considerados em casos refratários ou de alto risco para complicações coronarianas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo