Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Tratamento Essencial

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024

Enunciado

Criança de 2 anos com febre há 8 dias, sem melhora com antibioticoterapia de largo espectro que está usando há mais de 3 dias. Apresenta língua em framboesa, lábios hiperemiados, ressecados e com fissuras, linfadenomegalia cervical, congestão ocular bilateral, hiperemia palmar e plantar com edema endurado de mãos. Baseado no diagnostico que essa história clinica sugere e para se evitar a sua complicação mais temida o tratamento desta criança deverá ser feito com:

Alternativas

  1. A) aciclovir venoso.
  2. B) AAS e gamaglobulina.
  3. C) anfotericina B.
  4. D) penicilina cristalina.

Pérola Clínica

Febre > 5 dias + 4/5 critérios Kawasaki → AAS + Gamaglobulina para prevenir aneurisma coronariano.

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e critérios clínicos específicos. O tratamento precoce com AAS e gamaglobulina é crucial para prevenir a complicação mais temida: o aneurisma de artéria coronária.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda, de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (língua em framboesa, lábios hiperemiados e fissurados), alterações de extremidades (edema e eritema de mãos e pés, descamação periungueal), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical não supurativa. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória sistêmica que afeta vasos de médio calibre, com predileção pelas artérias coronárias. O reconhecimento precoce é crucial, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente o risco da complicação mais grave: a formação de aneurismas de artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia ou morte súbita. O tratamento padrão consiste na administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses inicialmente, seguido por doses baixas. A IVIG reduz a inflamação e a incidência de aneurismas coronarianos, enquanto o AAS atua como anti-inflamatório e antiplaquetário. O tratamento deve ser iniciado idealmente nos primeiros 10 dias de febre para maximizar a eficácia na prevenção de complicações cardíacas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por 5 ou mais dias, associada a pelo menos 4 dos 5 seguintes: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (língua em framboesa, lábios fissurados), alterações de extremidades (edema, eritema), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical.

Qual a complicação mais temida da Doença de Kawasaki e como preveni-la?

A complicação mais temida é o aneurisma de artéria coronária. A prevenção é feita com tratamento precoce, idealmente nos primeiros 10 dias de febre, com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS).

Por que o ácido acetilsalicílico (AAS) é usado no tratamento da Doença de Kawasaki?

O AAS é usado inicialmente em altas doses por seu efeito anti-inflamatório e, posteriormente, em baixas doses por seu efeito antiplaquetário, para reduzir o risco de trombose nas artérias coronárias inflamadas.

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