FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023
Menino, 2 anos é levado a um atendimento com quadro de febre diária há oito dias e irritabilidade. O pai refere aparecimento de alterações em boca, mãos e pés ao longo desse período. Ao exame físico, a criança está em regular estado geral, irritada, hipocorada, hidratada, apresenta hiperemia conjuntiva bilateral, língua em framboesa, edema de mãos e pés e linfonodo cervical palpável à direita (2cm). Ausculta cardíaca e respiratória normais. Abdômen indolor, fígado palpável a 3cm do rebordo costal direito. Os exames complementares mostram: 20.000 leucócitos (80% neutrófilos), Hgb = 10g/dL, VCM = 74, plaquetas = 600.000/mm³, VHS = 60mm, albumina = 2g/dL. A conduta terapêutica adequada e uma possível complicação tardia, respectivamente, são:
Febre > 5d + 4/5 critérios (conjuntivite, boca/língua, rash, extremidades, linfonodo) + plaquetose/VHS↑ = Kawasaki.
O quadro clínico descrito é clássico da Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica aguda da infância. O tratamento com imunoglobulina intravenosa (IVIG) é crucial para prevenir a principal complicação tardia, que é o aneurisma de artéria coronária.
A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda que afeta principalmente crianças pequenas, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. Caracteriza-se por uma inflamação dos vasos sanguíneos de médio calibre, com predileção pelas artérias coronárias. A etiologia é desconhecida, mas acredita-se que seja uma resposta imune desregulada a um agente infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos. O diagnóstico da DK é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orofaríngeas (língua em framboesa, lábios eritematosos/fissurados), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema e eritema de mãos/pés, descamação periungueal) e linfadenopatia cervical. Exames laboratoriais frequentemente mostram leucocitose com neutrofilia, plaquetose (tardia), VHS e PCR elevados, e hipoalbuminemia. O tratamento padrão ouro para a DK é a imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única alta, administrada idealmente nos primeiros 10 dias de febre, juntamente com ácido acetilsalicílico (AAS). A IVIG reduz significativamente o risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais temida e potencialmente fatal. O acompanhamento ecocardiográfico é essencial para monitorar a saúde cardíaca e detectar aneurismas.
O diagnóstico requer febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais (língua em framboesa, lábios fissurados), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema, eritema) e linfadenopatia cervical.
O tratamento de primeira linha é a imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única alta, geralmente combinada com ácido acetilsalicílico (AAS) em doses anti-inflamatórias, para reduzir a inflamação e prevenir complicações cardíacas.
A complicação mais grave é o desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias. A prevenção é feita com o tratamento precoce e adequado com IVIG e AAS, idealmente nos primeiros 10 dias de febre.
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