Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Manejo em Pediatria

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menino, 8 meses, previamente hígido, apresentou febre elevada (38,8 oC) há 5 dias e exantema há 4 dias, percebido ao mesmo tempo em tronco, tórax e abdome de aparecimento rápido, não pruriginoso, sem descamação. Fez uso de dipirona para febre. Apresenta discreta hiporexia e coriza hialina e prostração somente durante a febre. Primeiro filho nascido a termo por parto normal, após pré-natal sem intercorrências. Vacinação adequada. Sem comorbidades. O exame físico mostra mãos e pés com discreto aumento de dorso. Adenopatia cervical < 2 cm, unilateral. Discreta hiperemia conjuntival, sem secreção. Discreta hiperemia de faringe. Lábios e língua hiperemiados semelhante à “língua em framboesa ou morango”. Exantema maculopapular poliformo. Demais aparelhos sem alterações Realizou alguns exames: Proteína C-Reativa ultrassensível = 9,5 mg/L VN = (0,0 – 3,0 mg/L) e Hemossedimentação (VHS) = 59 mm. A conduta mais adequada para o caso é

Alternativas

  1. A) Suporte alimentar, antitérmico e repouso e reavaliação a cada 24 horas.
  2. B) Penicilina oral por 10 dias.
  3. C) Internar o paciente, administrar Imunoglobulina e AAS.
  4. D) Manter antitérmico de horário para evitar a convulsão febril e reavaliação em 24 horas.
  5. E) Vacinação de bloqueio em todos os comunicantes, fazer a notificação compulsória obrigatória e manter o paciente internado pelo risco de complicação do ouvido e pulmão.

Pérola Clínica

Febre >5d + 4/5 critérios Kawasaki (exantema, conjuntivite, lábios/língua, adenopatia, extremidades) → suspeitar Kawasaki.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre prolongada (>5 dias) associada a exantema, hiperemia conjuntival, alterações de lábios e língua ("língua em framboesa"), adenopatia cervical e alterações de extremidades (edema, descamação) é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki. A elevação de PCR e VHS reforça a inflamação sistêmica. O tratamento precoce com imunoglobulina e AAS é crucial para prevenir aneurismas coronarianos.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda da infância, de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir suas complicações mais temidas, os aneurismas de artérias coronárias. O diagnóstico da DK é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (lábios eritematosos e fissurados, língua em framboesa), exantema polimorfo, adenopatia cervical (>1,5 cm, geralmente unilateral) e alterações de extremidades (eritema e edema nas mãos e pés, seguido por descamação periungueal na fase de convalescença). Exames laboratoriais como PCR e VHS elevados, leucocitose e trombocitose (na fase subaguda) apoiam o diagnóstico. A conduta terapêutica padrão para a Doença de Kawasaki é a administração de Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) em dose única, juntamente com Ácido Acetilsalicílico (AAS) em dose anti-inflamatória, seguido por dose antiplaquetária por várias semanas. O tratamento deve ser iniciado idealmente nos primeiros 10 dias de doença para maximizar a prevenção de aneurismas coronarianos. O acompanhamento cardiológico com ecocardiograma é essencial para monitorar a saúde das artérias coronárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por 5 ou mais dias, associada a pelo menos 4 dos 5 seguintes: hiperemia conjuntival bilateral, alterações de lábios e cavidade oral (lábios eritematosos e fissurados, língua em framboesa), exantema polimorfo, adenopatia cervical e alterações de extremidades (edema, eritema, descamação).

Qual a conduta terapêutica inicial mais adequada para um paciente com suspeita de Doença de Kawasaki?

A conduta mais adequada é a internação hospitalar e a administração de Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) em dose única, juntamente com Ácido Acetilsalicílico (AAS) em dose anti-inflamatória, seguido de dose antiplaquetária.

Qual a complicação mais grave da Doença de Kawasaki e como o tratamento a previne?

A complicação mais grave é o desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias. O tratamento precoce com IVIG e AAS reduz significativamente o risco de inflamação vascular e, consequentemente, a formação desses aneurismas.

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