UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2019
Mariana, 4 anos, previamente saudável, procura atendimento médico devido a febre há 6 dias. No exame físico: EGReg, hidratada, eupneica, rash cutâneo máculo-papular em tronco, Tax: 38,5° C. Linfonodomegalia com flogose discreta em região cervical anterior esquerda, lábios ressecados e com fissuras nos ângulos, conjuntivas hiperemiadas e edema com leve descamação em extremidades, principalmente em regiões peri- ungueais. Restante do exame físico sem alterações importantes. Assinale a alternativa CORRETA.
Doença de Kawasaki → Febre > 5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, lábios/mucosa oral, rash, linfonodomegalia, extremidades). Tratamento: IVIG.
O quadro clínico da paciente (febre há 6 dias, conjuntivite, lábios ressecados/fissurados, rash, linfonodomegalia cervical, edema/descamação em extremidades) é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica aguda da infância. O tratamento de escolha para prevenir complicações cardíacas, especialmente aneurismas coronarianos, é a imunoglobulina humana intravenosa (IVIG) em altas doses, idealmente nas primeiras 10 dias de doença.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta principalmente crianças pequenas, com pico de incidência entre 6 meses e 5 anos de idade. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. Sua etiologia é desconhecida, mas acredita-se que seja desencadeada por um agente infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos, levando a uma resposta imune desregulada e inflamação vascular. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral, rash polimorfo, alterações de extremidades e linfonodomegalia cervical. É crucial reconhecer a doença rapidamente, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta o risco de complicações cardíacas. O tratamento padrão ouro é a administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em altas doses, geralmente em combinação com aspirina. A IVIG deve ser administrada idealmente nos primeiros 10 dias do início da febre para maximizar a prevenção de aneurismas coronarianos. O ecocardiograma é essencial para monitorar o envolvimento cardíaco. Residentes devem estar aptos a identificar e manejar esta condição para evitar sequelas graves.
Os critérios diagnósticos incluem febre por pelo menos 5 dias e a presença de 4 dos 5 achados clínicos principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (lábios eritematosos, fissurados, língua em framboesa), rash polimorfo, alterações de extremidades (edema, eritema, descamação periungueal) e linfonodomegalia cervical.
A imunoglobulina intravenosa (IVIG) em altas doses é o tratamento principal porque reduz significativamente o risco de desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, a complicação mais grave da doença. Acredita-se que a IVIG module a resposta inflamatória sistêmica.
A principal e mais temida complicação da Doença de Kawasaki não tratada é o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia miocárdica e morte súbita. Outras complicações incluem miocardite, pericardite e valvulite.
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