UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020
Roberto, três anos, é levado à emergência pediátrica com história de febre (39°C) há 12 dias, “inchaço” no pescoço por sete dias e conjuntivite não purulenta em ambos os olhos. Exame físico: febril, adenomegalia cervical posterior esquerda medindo 2cm, sem sinais flogísticos, hiperemia de conjuntiva sem exudato,edema de mãos e pés, lábios secos e fissurados. Nesse caso, deve ser instituído tratamento precoce com:
Criança com febre prolongada + 4 dos 5 critérios Kawasaki → iniciar imunoglobulina IV e aspirina para prevenir aneurismas coronarianos.
O quadro clínico de Roberto (febre > 5 dias, conjuntivite não purulenta, adenomegalia cervical, edema de mãos e pés, lábios fissurados) preenche os critérios para Doença de Kawasaki. O tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina é crucial para prevenir a complicação mais grave: a formação de aneurismas de artéria coronária.
A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda da infância, de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O reconhecimento precoce é crucial devido ao risco de complicações cardiovasculares graves, especialmente os aneurismas de artéria coronária. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada que leva à inflamação dos vasos sanguíneos, particularmente as artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações orais (lábios fissurados, língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema, eritema, descamação) e adenomegalia cervical. Exames laboratoriais mostram inflamação aguda. O tratamento padrão-ouro consiste na administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e aspirina em dose anti-inflamatória, seguida de dose antiplaquetária. A IVIG deve ser administrada idealmente nos primeiros 10 dias de doença para reduzir significativamente o risco de aneurismas coronarianos. O acompanhamento cardiológico com ecocardiograma é essencial para monitorar a evolução e detectar precocemente as complicações.
Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias, associada a 4 dos 5 seguintes: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações em lábios e cavidade oral (lábios fissurados, língua em framboesa), exantema polimorfo, alterações em extremidades (edema, eritema, descamação) e adenomegalia cervical não supurativa.
A IVIG é o tratamento principal porque atua como um imunomodulador, reduzindo a inflamação sistêmica e, crucialmente, diminuindo a incidência de aneurismas de artéria coronária, a complicação mais grave da doença.
A complicação mais temida são os aneurismas de artéria coronária, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia ou morte súbita. A prevenção se dá pelo diagnóstico e tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa e aspirina, idealmente nos primeiros 10 dias de doença.
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