Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Tratamento Essencial

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Pré-escolar com 4 anos de idade, há 5 dias vem apresentando febre diária (38 a 40 °C) e persistente. No segundo dia de febre, apresentou língua em framboesa, linfadenite cervical unilateral (3 cm), prescrito dose única de penicilina benzatina. Hoje é atendido no pronto-socorro com persistência da febre. Ao exame físico, encontra-se hidratado, com hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, exantema escarlatiniforme e edema em mãos e pés. Em face desse quadro clínico, o exame complementar e o tratamento indicados são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) sorologia para Epstein-Baar; corticoterapia via oral.
  2. B) ecocardiograma; gamaglobulina via endovenosa.
  3. C) IgG e IgM para sarampo; vitamina A via endovenosa.
  4. D) reação em cadeia da polimerase para espiroquetas; doxiciclina via oral.
  5. E) ASLO; amoxacilina via oral.

Pérola Clínica

Febre >5 dias + 4/5 critérios Kawasaki (conjuntivite, boca/língua, rash, mãos/pés, linfonodo) → Ecocardiograma + Gamaglobulina EV.

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito é clássico da Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica aguda da infância. O diagnóstico é clínico, mas o ecocardiograma é essencial para avaliar o acometimento das artérias coronárias, a complicação mais grave. O tratamento com gamaglobulina endovenosa deve ser iniciado precocemente para reduzir o risco de aneurismas coronarianos.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos. Caracteriza-se por febre prolongada e uma série de manifestações mucocutâneas e linfonodais. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos, devido ao risco de desenvolvimento de aneurismas nas artérias coronárias. O diagnóstico da Doença de Kawasaki é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e quatro dos cinco critérios principais: hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, alterações orais (língua em framboesa, lábios fissurados), exantema polimorfo, alterações em extremidades (edema, eritema, descamação) e linfadenopatia cervical. A suspeita deve ser alta em crianças com febre persistente sem foco aparente. O tratamento padrão consiste na administração de gamaglobulina endovenosa (IVIG) e aspirina em altas doses, com o objetivo principal de reduzir a inflamação e prevenir a formação de aneurismas coronarianos. O ecocardiograma é essencial para monitorar o acometimento cardíaco. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce, mas o acompanhamento cardiológico é necessário para pacientes com aneurismas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por 5 ou mais dias e a presença de pelo menos 4 dos 5 achados clínicos: hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, alterações em lábios e cavidade oral (língua em framboesa, lábios eritematosos/fissurados), exantema polimorfo, alterações em extremidades (edema, eritema), e linfadenopatia cervical unilateral.

Por que o ecocardiograma é fundamental no manejo da Doença de Kawasaki?

O ecocardiograma é crucial para monitorar e detectar precocemente o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, a complicação mais grave da Doença de Kawasaki, que pode levar a infarto do miocárdio e morte súbita.

Qual o tratamento de primeira linha para a Doença de Kawasaki e por que ele é utilizado?

O tratamento de primeira linha é a gamaglobulina endovenosa (IVIG) em dose única alta, administrada precocemente (idealmente nos primeiros 10 dias de doença), juntamente com aspirina. A IVIG reduz a inflamação sistêmica e diminui significativamente o risco de formação de aneurismas coronarianos.

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