UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
Pré-escolar de quatro anos, sexo masculino, apresenta febre acima de 38,5o há 6 dias, associado à queda do estado geral, palidez, eritema de boca e mãos com descamação. Ao exame físico, apresenta linfadenomegalia cervical anterior e occipital, cavidade oral com língua em framboesa, orofaringe hiperemiada sem exsudato. Apresenta carteira vacinal completa até a idade descrita.Qual o diagnóstico mais provável?
Febre alta > 5 dias + 4 de 5 critérios (conjuntivite, alterações orais, exantema, alterações de extremidades, linfadenopatia) = Doença de Kawasaki.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite aguda de médios vasos, com tropismo pelas artérias coronárias. O diagnóstico é clínico e o tratamento precoce com imunoglobulina venosa (IGIV) e aspirina é crucial para prevenir a formação de aneurismas coronarianos.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. Sua etiologia exata é desconhecida, mas acredita-se que uma resposta imunológica anormal a um agente infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos desencadeie a inflamação vascular. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na presença de febre alta por pelo menos cinco dias, associada a quatro dos cinco critérios clínicos principais. A febre é tipicamente alta (acima de 39°C) e persistente. As manifestações mucocutâneas, como a conjuntivite não purulenta, a língua em framboesa e o exantema polimorfo, são características marcantes da fase aguda da doença. O pilar do tratamento é a administração precoce de imunoglobulina intravenosa (IGIV) e aspirina. A IGIV atua modulando a resposta inflamatória e reduz significativamente a incidência de aneurismas coronarianos de 25% para menos de 5%. O ecocardiograma é mandatório no diagnóstico e no seguimento para avaliar o envolvimento coronariano e guiar a terapia a longo prazo.
São eles: 1) alterações de extremidades (edema, eritema, descamação periungueal); 2) exantema polimorfo; 3) conjuntivite bilateral não exsudativa; 4) alterações em lábios e cavidade oral (língua em framboesa, fissuras labiais); 5) linfadenopatia cervical aguda, geralmente unilateral e >1,5 cm.
A terapia padrão consiste na administração de Imunoglobulina Intravenosa (IGIV) em dose única alta (2g/kg) nas primeiras 10 dias de febre, associada à Aspirina (AAS) em doses anti-inflamatórias na fase aguda, seguidas por doses antiagregantes.
A complicação mais temida é o desenvolvimento de anormalidades nas artérias coronárias, incluindo dilatações e aneurismas, que podem levar a isquemia miocárdica, infarto agudo do miocárdio e morte súbita a longo prazo.
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