Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Pré-escolar, sexo masculino, 3 anos de idade, é levado ao Pronto-Socorro com febre alta, persistente há seis dias, que não responde adequadamente a antipiréticos. Os pais relatam que a criança está irritada e tem apresentado “vermelhidão na pele”. Ao exame físico, além de um exantema róseo disseminado, observa-se hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios inchados e avermelhados, língua em aspecto de “morango” e edema nas mãos com descamação periungueal. Os exames laboratoriais mostram elevação dos marcadores inflamatórios, como proteína C-reativa e velocidade de hemossedimentação. A criança estava usando, em razão da febre, uma dose elevada de dipirona.Em face do exposto, o diagnóstico mais provável para essa condição é
Febre > 5 dias + Conjuntivite + Exantema + Alterações orais + Alterações de extremidades = Doença de Kawasaki.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite aguda que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre prolongada associada a um conjunto característico de sinais mucocutâneos, sendo crucial para prevenir aneurismas de artérias coronárias.
A Doença de Kawasaki é a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. Trata-se de uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida que afeta predominantemente artérias de médio calibre, com um tropismo particular pelas artérias coronárias. Acomete principalmente crianças com menos de 5 anos de idade. O diagnóstico é clínico e baseia-se nos critérios estabelecidos: febre alta e persistente por pelo menos cinco dias, associada a quatro dos cinco seguintes achados: 1) alterações de extremidades (edema/eritema palmo-plantar na fase aguda; descamação periungueal na fase subaguda); 2) exantema polimorfo; 3) hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa; 4) alterações de lábios e cavidade oral (eritema, fissuras labiais, língua em morango); e 5) linfadenopatia cervical. A irritabilidade extrema e a elevação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS) são achados de suporte importantes. O reconhecimento e o tratamento precoces são fundamentais para prevenir a complicação mais temida: o desenvolvimento de dilatações e aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a isquemia miocárdica, infarto e morte súbita. A terapia padrão, com imunoglobulina intravenosa em dose única elevada e ácido acetilsalicílico, deve ser iniciada preferencialmente nos primeiros 10 dias do início da febre para ser mais eficaz na redução do risco de complicações cardíacas.
Além da febre por ≥ 5 dias, os critérios são: 1) alterações em extremidades (edema/eritema, descamação periungueal); 2) exantema polimorfo; 3) conjuntivite bilateral não exsudativa; 4) alterações em lábios e cavidade oral (língua em morango, fissuras); 5) linfadenopatia cervical (>1,5 cm).
O tratamento consiste na administração de Imunoglobulina Intravenosa (IGIV) em dose alta (2 g/kg) e ácido acetilsalicílico (AAS). O tratamento deve ser iniciado idealmente nos primeiros 10 dias de doença para reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias.
A combinação dos sinais é a chave. Diferente do sarampo, a conjuntivite é não purulenta. Diferente da escarlatina, o exantema não é áspero e não há resposta a antibióticos. A presença de alterações de extremidades (edema e descamação tardia) é um forte indicativo de Kawasaki.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo