IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Pré-escolar de 3 anos, sexo masculino, é levado pelo pai à unidade de emergência com queixa de febre alta, iniciada há cinco dias, aumento de volume na parte lateral do pescoço e olhos avermelhados. Nega contato domiciliar com COVID-19 ou viagens recentes. A mãe não foi à consulta por estar trabalhando. Contudo, o pai disse que ela levou a criança ao pediatra no terceiro dia da febre, tendo o médico prescrito cefalexina para a criança, sem que houvesse melhora do quadro. A febre persistiu alta (39,5 °C) e a criança ficou prostrada. Ao exame físico, é observada adenomegalia cervical posterior de 2 cm, sem outros sinais flogísticos; conjuntivas ainda hiperemiadas, sem secreção local; orofaringe sem exudatos; lábios secos, com fissuras; discreto edema de mãos e pés, sem prurido local. O diagnóstico provável e o tratamento proposto são:
Febre ≥ 5 dias + 4 de 5 critérios (conjuntivite, oral, mãos/pés, exantema, adenopatia) = Kawasaki → IVIG precoce.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite de médios vasos que exige diagnóstico clínico rápido. O tratamento com Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) nas primeiras 48-72h após o diagnóstico (idealmente até o 10º dia de febre) reduz drasticamente o risco de aneurismas coronarianos.
A Doença de Kawasaki é a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças em países desenvolvidos. Sua etiologia permanece desconhecida, mas acredita-se em uma resposta imunológica exacerbada a um gatilho infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos. O caso clínico descrito é clássico: pré-escolar com febre alta persistente, conjuntivite sem secreção, alterações orais (lábios secos e fissuras), adenomegalia cervical e edema de extremidades. A falha terapêutica inicial com cefalexina é comum, pois o quadro mimetiza infecções bacterianas como a escarlatina. No entanto, a persistência da febre e a evolução dos sinais mucocutâneos devem alertar o pediatra para a vasculite. O reconhecimento precoce e a infusão de IVIG são as únicas intervenções que comprovadamente alteram o desfecho vascular coronariano.
O diagnóstico é clínico e requer febre persistente por pelo menos 5 dias, associada a pelo menos 4 dos 5 critérios seguintes: 1) Alterações nas extremidades (edema ou eritema de mãos e pés na fase aguda; descamação periungueal na fase subaguda); 2) Exantema polimorfo; 3) Conjuntivite bulbar bilateral não exsudativa; 4) Alterações labiais e da cavidade oral (lábios fissurados, língua em morango, eritema de orofaringe); 5) Adenopatia cervical (geralmente única, > 1,5 cm). Casos com menos critérios podem ser classificados como Kawasaki Incompleto se houver alterações ecocardiográficas ou laboratoriais compatíveis.
A complicação mais temida são os aneurismas das artérias coronárias, que ocorrem em cerca de 20-25% das crianças não tratadas. Esses aneurismas podem levar a trombose coronariana, infarto agudo do miocárdio e morte súbita. O tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa reduz esse risco para menos de 5%. Por isso, o ecocardiograma é um exame obrigatório no diagnóstico e no seguimento a longo prazo para monitorar o calibre das coronárias e a função cardíaca.
O tratamento padrão consiste na administração de Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) em dose única de 2 g/kg, preferencialmente antes do 10º dia de doença. Associadamente, utiliza-se o Ácido Acetilsalicílico (AAS). Na fase febril, o AAS é usado em doses anti-inflamatórias (80-100 mg/kg/dia); após a defervescência (48-72h sem febre), a dose é reduzida para níveis antiagregantes (3-5 mg/kg/dia) e mantida por 6 a 8 semanas, ou indefinidamente se houver anormalidades coronarianas detectadas no ecocardiograma.
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