Doença de Kawasaki em Lactentes: Pistas Diagnósticas

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menino, 4m, previamente hígido, é trazido para avaliação devido a quadro de febre persistente de 39ºC há oito dias, e que a criança chora mais quando é segura pelos braços há três dias. Antecedentes pessoais e familiares: nega doenças. Vacinação completa. Traz exames realizados há quatro dias, após primeira avaliação médica. hemoglobina = 10 g/dL, hematócrito = 30%, VCM = 78 fL, leucócitos = 21.520/mm³ (bastonetes = 1.030/mm³; segmentados = 17.820/mm³; linfócitos = 1.670/mm³; monócitos = 600/mm³; eosinófilos = 400/mm³), plaquetas = 845.000/mm³. Exame de urina: hemácias = 5/campo; leucócitos = 65/campo; urocultura = negativa. Radiograma de tórax = normal; Exame físico: agitada; T = 38,5ºC; FC = 184 bpm; FR = 40 irpm. Observa-se que na face externa da região do terço superior do braço direito, há um processo pouco endurado, quente e hiperemiado na região média do deltoide, doloroso à palpação. A hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Osteomielite.
  2. B) Doença de Kawasaki.
  3. C) Infecção Urinária.
  4. D) Imunodeficiência primária.

Pérola Clínica

Febre ≥ 5 dias + Irritabilidade + Piúria estéril + Trombocitose → Pensar em Kawasaki (mesmo sem exantema).

Resumo-Chave

Em lactentes jovens, a Doença de Kawasaki frequentemente se apresenta de forma incompleta; a irritabilidade extrema e a piúria estéril são sinais de alerta fundamentais.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica de médios vasos e a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças em países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico, mas o desafio reside nas formas incompletas. O caso apresenta um lactente de 4 meses com febre prolongada, leucocitose, trombocitose importante (845.000) e piúria estéril — um conjunto clássico para Kawasaki. O tratamento precoce com Imunoglobulina Intravenosa (IGIV) e Aspirina é crucial para reduzir o risco de aneurismas coronarianos de 25% para menos de 5%. O ecocardiograma deve ser solicitado imediatamente na suspeita.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Doença de Kawasaki incompleta?

A Doença de Kawasaki incompleta ocorre quando o paciente apresenta febre por 5 ou mais dias, mas possui menos de 4 dos 5 critérios clássicos (conjuntivite não purulenta, alterações em lábios/cavidade oral, exantema polimorfo, alterações em extremidades e linfadenopatia cervical). É mais comum em lactentes menores de 6 meses e em crianças maiores. Nesses casos, o diagnóstico é auxiliado por achados laboratoriais como anemia, leucocitose, trombocitose (geralmente após a 1ª semana), elevação de provas de atividade inflamatória (VHS/PCR), hipoalbuminemia e piúria estéril.

Por que ocorre piúria estéril na Doença de Kawasaki?

A piúria estéril (presença de leucócitos na urina com urocultura negativa) na Doença de Kawasaki é decorrente de uma uretrite asséptica causada pela inflamação sistêmica da vasculite. É um achado muito comum e frequentemente leva ao erro diagnóstico de Infecção do Trato Urinário (ITU). O residente deve suspeitar de Kawasaki quando a 'ITU' não responde ao tratamento convencional ou quando a urocultura retorna negativa em um quadro de febre persistente e irritabilidade importante.

Qual a importância da irritabilidade no diagnóstico de Kawasaki?

A irritabilidade extrema, muitas vezes desproporcional à febre, é uma característica marcante da Doença de Kawasaki, especialmente em lactentes. Pode estar relacionada a uma meningite asséptica (também decorrente da vasculite). No caso clínico, a criança chora ao ser segurada, o que pode indicar dor articular ou hiperestesia cutânea, também descritas na fase aguda. A presença de febre prolongada sem foco definido associada a essa irritabilidade deve sempre levantar a suspeita de Kawasaki para evitar a complicação mais grave: aneurismas de artérias coronárias.

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