Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Tratamento Imediato

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Menina de 15 meses apresenta febre alta há uma semana, dois picos diários de até 39º C. Nesse período fez uso de ibuprofeno e amoxicilina por conta própria. Há dois dias refere conjuntivite bilateral não purulenta e edema de mãos. Nega alterações urinárias ou digestivas. Durante o exame físico você nota criança irritada, apesar de bom estado geral, com língua avermelhada, lesões de pele (foto abaixo) e gânglio fibroelástico de 2 cm cervical à direita. Pai trabalha em uma metalúrgica, na qual já tinham sido afastados dois funcionários com suspeita da Covid-19. Qual o tratamento imediato de escolha para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Pulso de metilprednisolona 30 mg/kg dose única.
  2. B) lmunoglobulina humana 2 g/kg dose única.
  3. C) Tocilizumabe 12 mg/kg dose única.
  4. D) Vancomicina e ceftriaxona em doses habituais, empiricamente.

Pérola Clínica

Febre >5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, boca, mãos/pés, rash, linfonodo) → Kawasaki = Imunoglobulina.

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, caracterizada por febre prolongada e manifestações mucocutâneas. O tratamento imediato com imunoglobulina humana é crucial para prevenir a principal complicação, que é a formação de aneurismas de artérias coronárias.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. A importância clínica reside na sua capacidade de causar aneurismas de artérias coronárias se não tratada precocemente, com potencial morbimortalidade significativa. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada que leva à inflamação dos vasos sanguíneos, especialmente as artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre prolongada (≥ 5 dias) e pelo menos quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações orofaríngeas (língua em framboesa, lábios fissurados), alterações de extremidades (edema, eritema), rash polimorfo e linfadenopatia cervical. É crucial suspeitar de Kawasaki em qualquer criança com febre inexplicada e esses sinais. O tratamento padrão ouro é a administração de imunoglobulina humana intravenosa (IVIG) em dose única de 2 g/kg, idealmente nas primeiras 10 dias de febre, para reduzir o risco de aneurismas coronarianos. O ácido acetilsalicílico (AAS) também é parte do regime terapêutico. O prognóstico é excelente com tratamento precoce, mas o atraso pode levar a complicações cardíacas graves e permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias e a presença de 4 dos 5 achados clínicos: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações de lábios e cavidade oral (língua em framboesa), alterações de extremidades (edema, eritema), rash polimorfo e linfadenopatia cervical.

Qual o tratamento de primeira linha para a Doença de Kawasaki?

O tratamento de primeira linha é a imunoglobulina humana intravenosa (IVIG) em dose única de 2 g/kg, administrada nas primeiras 10 dias de febre, juntamente com ácido acetilsalicílico.

Qual a principal complicação da Doença de Kawasaki não tratada?

A principal e mais grave complicação da Doença de Kawasaki não tratada é a formação de aneurismas nas artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia e morte súbita.

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