Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024
As Doenças Exantemáticas são de grande prevalência e importância na faixa etária pediátrica. Dentre elas, encontramos a Doença de Kawasaki, uma vasculite primária, aguda e autolimitada, das mais comuns em crianças e que representa a principal causa de cardiopatia adquirida nessa faixa etária, sendo assim, seu diagnóstico e propedêutica adequada são de extrema importância para a não complicação das crianças afetadas. Em relação ao tratamento da doença de Kawasaki, assinale a alternativa CORRETA.
Kawasaki → IVIG 2g/kg (dose única) + AAS; idealmente até o 10º dia para prevenir aneurismas coronarianos.
O tratamento padrão da Doença de Kawasaki consiste na administração de Imunoglobulina Humana Intravenosa (IVIG) em dose única de 2g/kg, preferencialmente até o 10º dia de febre, associada ao Ácido Acetilsalicílico (AAS).
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de cardiopatia adquirida em países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico, baseado em febre persistente por 5 dias ou mais, associada a pelo menos 4 de 5 critérios: alterações em extremidades, exantema polimorfo, conjuntivite não purulenta, alterações labiais/orais e linfadenopatia cervical. O tratamento com Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) em dose única de 2g/kg é a intervenção mais eficaz. A janela terapêutica ideal é até o 10º dia do início da febre, mas o tratamento não deve ser negado após esse período se houver evidência de inflamação ativa. O acompanhamento ecocardiográfico é essencial para monitorar o diâmetro das coronárias ao longo do tempo.
O objetivo primordial é reduzir a inflamação sistêmica e, crucialmente, prevenir a formação de aneurismas das artérias coronárias. Sem tratamento, cerca de 20-25% das crianças desenvolvem anormalidades coronarianas; com a administração precoce de IVIG, esse risco cai para menos de 5%.
O AAS é utilizado inicialmente em doses anti-inflamatórias (80-100 mg/kg/dia nos EUA ou 30-50 mg/kg/dia em alguns protocolos europeus/brasileiros) até que a criança esteja afebril por 48-72 horas. Após esse período, a dose é reduzida para o nível antiagregante (3-5 mg/kg/dia), mantida por 6 a 8 semanas, ou indefinidamente se houver alterações coronarianas.
Os corticoides são indicados como terapia adjuvante em pacientes de alto risco para resistência à IVIG (conforme escores como Kobayashi) ou em casos de doença refratária (febre persistente após a primeira dose de IVIG). Estudos recentes mostram que a associação precoce de corticoides pode reduzir ainda mais a incidência de aneurismas em grupos selecionados.
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