SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2020
A.G.S., 4 anos, é levado a emergência pela terceira vez consecutiva. sua responsável relata febre alta iniciada há 7 dias, associada a ""olhos vermelhos"" sem secreção, e inapetência. procurou atendimento no 2º dia de evolução, quando foi notada hiperemia de orofaringe e de mucosa oral, língua em framboesa, sendo diagnosticado como amigdalite e conjuntivite, sendo prescrito amoxicilina. No 3º dia evoluiu com rash cutâneo maculopapular difuso, e edema doloroso de mãos e pés, além da manutenção da febre e sintomas iniciais, sendo levado novamente ao serviço de saúde, com diagnóstico de alergia a amoxicilina, substituída por azitromicina, e associada a anti-histamínico. No retorno atual, refere persistência de todos os sintomas apesar da terapêutica, e no exame físico, além das alterações já mencionadas, é identificada adenomegalia cervical anterior unilateral de 2,5 cm, pouco dolorosa, sem outros sinais flogísticos. Qual diagnóstico correto?
Febre >5 dias + rash + conjuntivite + edema extremidades + adenomegalia → suspeitar Doença de Kawasaki, mesmo com tratamentos prévios.
A Doença de Kawasaki é frequentemente subdiagnosticada ou diagnosticada tardiamente devido à sua apresentação inicial inespecífica, que pode mimetizar infecções virais ou reações alérgicas. A persistência da febre e o surgimento progressivo dos critérios clínicos devem levantar a suspeita.
A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda da infância, e seu diagnóstico pode ser um desafio devido à sua apresentação clínica variada e inespecífica, especialmente nas fases iniciais. É comum que crianças com DK sejam inicialmente diagnosticadas com infecções virais, amigdalites bacterianas ou reações alérgicas a medicamentos, levando a atrasos no tratamento. A persistência da febre por mais de cinco dias, juntamente com a presença de pelo menos quatro dos cinco critérios clássicos (conjuntivite bilateral não purulenta, alterações de lábios e cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical unilateral), é fundamental para o diagnóstico. A falha terapêutica com antibióticos e a evolução progressiva dos sintomas, como o edema doloroso de mãos e pés e a adenomegalia, devem alertar o médico para a possibilidade de DK. O reconhecimento precoce é vital para iniciar o tratamento com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS), prevenindo as complicações cardíacas mais temidas, como os aneurismas de artérias coronárias. Residentes devem ter alta suspeição para DK em crianças com febre prolongada e achados mucocutâneos, mesmo que já tenham recebido outros diagnósticos ou tratamentos.
Os diagnósticos diferenciais incluem escarlatina, sarampo, adenovirose, mononucleose infecciosa, reações a medicamentos (farmacodermia), síndrome do choque tóxico estafilocócico ou estreptocócico, e outras vasculites.
O rash cutâneo polimorfo da Kawasaki pode ser interpretado erroneamente como uma reação alérgica a antibióticos, especialmente se o paciente já estiver em uso de medicação e não apresentar melhora.
Uma história clínica detalhada, com atenção à duração da febre e à evolução dos sintomas mucocutâneos e linfáticos, é crucial para identificar a constelação de achados que sugere Doença de Kawasaki, mesmo em casos de apresentações atípicas ou incompletas.
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