HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022
Menina de 2 anos de idade, há 8 dias com febre diária de até 38,7°C. Levada ao pronto-socorro no quarto dia de sintomas, foi diagnosticada com amigdalite bacteriana devido a hiperemia de orofaringe, e foi iniciada amoxicilina 50mg/kg/dia. A paciente retorna ao pronto-socorro após 4 dias de antibioticoterapia, mantendo picos febris diários. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, anictérica, acianótica e hidratada. Frequência respiratória de 34 incursões por minuto, frequência cardíaca de 125 batimentos por minuto e temperatura axilar de 38,4°C. Observa-se presença de conjuntivite bilateral não purulenta, edema e hiperemia em dedos das mãos; lábios "rachados" e enantema de mucosas à oroscopia, além de exantema maculopapular predominante em tronco. Qual alternativa contém o exame que deve ser realizado e terá impacto no tratamento da paciente descrita no caso clínico?
Doença de Kawasaki: febre >5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, boca/lábios, exantema, extremidades, linfonodo) → Ecocardiograma e IVIG.
A persistência da febre e a presença de múltiplos sinais clínicos como conjuntivite não purulenta, alterações de extremidades e mucosas em uma criança após falha de antibioticoterapia para amigdalite bacteriana são altamente sugestivos de Doença de Kawasaki. O ecocardiograma é crucial para avaliar o acometimento coronariano, que define a gravidade e o tratamento.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, de etiologia desconhecida, que afeta principalmente artérias de médio calibre, com predileção pelas artérias coronárias. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças em países desenvolvidos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações graves. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos cinco dias e quatro dos cinco critérios principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações de lábios e cavidade oral (lábios rachados, língua em framboesa, enantema difuso), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema e eritema agudos, descamação periungueal subaguda) e linfadenopatia cervical. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória desregulada que leva à vasculite. O tratamento visa reduzir a inflamação e prevenir o desenvolvimento de aneurismas coronarianos. A terapia padrão inclui imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS). O ecocardiograma transtorácico é um exame fundamental para monitorar o acometimento coronariano no diagnóstico e durante o acompanhamento, sendo decisivo para o manejo e prognóstico da doença.
Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias e a presença de 4 dos 5 achados principais: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações de lábios e cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfadenopatia cervical.
O ecocardiograma é essencial para avaliar o acometimento das artérias coronárias, como a formação de aneurismas, que é a complicação mais grave da doença e impacta diretamente a conduta terapêutica.
O tratamento padrão consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS), visando reduzir a inflamação e prevenir a formação de aneurismas coronarianos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo