UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Pré-escolar de 3 anos é levado à emergência com quadro febril persistente há mais de cinco dias. Ao exame físico, apresenta conjuntivite sem exsudato, “língua em morango”, exantema polimorfo, e eritema palmar com edema em mãos e pés. Foram solicitados exames laboratoriais que revelaram leucocitose com neutrofilia e elevação das transaminases séricas. A conduta adequada nesse caso inclui:
Febre ≥ 5 dias + 4 critérios (conjuntivite, oral, extremidades, exantema, cervical) = Kawasaki.
O tratamento precoce com IVIG e AAS visa reduzir o risco de aneurismas coronarianos, complicação mais grave da fase aguda da Doença de Kawasaki.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica de médios vasos que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos. Sua etiologia permanece desconhecida, mas acredita-se em um gatilho infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos. A importância do diagnóstico precoce reside na prevenção de sequelas cardiovasculares, especificamente os aneurismas de artérias coronárias, que ocorrem em até 25% dos pacientes não tratados. O quadro laboratorial costuma mostrar marcadores inflamatórios elevados (VHS, PCR), leucocitose com desvio à esquerda, anemia normocítica e, tardiamente, trombocitose. Alterações hepáticas, como a elevação de transaminases, e piúria estéril também são achados comuns que auxiliam no diagnóstico de casos incompletos.
O diagnóstico é clínico, exigindo febre por pelo menos 5 dias associada a 4 de 5 critérios: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações em lábios e cavidade oral (língua em morango, fissuras), alterações em extremidades (edema, eritema ou descamação), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical geralmente unilateral (>1,5 cm).
O ecocardiograma deve ser realizado o mais precocemente possível para avaliar a presença de dilatações ou aneurismas nas artérias coronárias. No entanto, a ausência de alterações ecocardiográficas iniciais não exclui o diagnóstico nem deve retardar o início do tratamento com imunoglobulina.
A base do tratamento é a Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) em dose única de 2g/kg, idealmente antes do 10º dia de febre, associada ao Ácido Acetilsalicílico (AAS). O AAS é usado em doses anti-inflamatórias (80-100 mg/kg/dia) na fase febril e reduzido para dose antiplaquetária após a defervescência.
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