Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Uma paciente de um ano de idade foi admitida no pronto-socorro infantil com história de febre há sete dias. Sua mãe refere que, no início do quadro, apresentou exantema em tronco que durou dois dias. Nega queixas respiratórias ou gastrointestinais. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, descorada +/4, hidratada, eupneica, febril (38,5 °C), acianótica, anictérica, com presença de linfonodos em cadeia cervical direita, móveis, fibroelásticos, sendo o maior deles com 2 cm de diâmetro. Cavidade oral com hiperemia difusa de orofaringe e língua em framboesa, sem sinais meníngeos. MV presente bilateralmente, sem ruídos adventícios, e BRNF em dois tempos, sem sopros. Abdome sem alterações. Boa perfusão periférica, com edema em dorso de mãos e pés e eritema palmar e plantar.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Doença de Kawasaki: febre > 5 dias + 4 dos 5 critérios (exantema, conjuntivite, linfonodomegalia, alterações orais, alterações extremidades) → IVIG imediata.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, com risco de aneurismas de artérias coronárias. O tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS) é crucial para reduzir a incidência dessas complicações cardíacas, sendo a IVIG indicada de imediato ao diagnóstico.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que afeta principalmente crianças menores de 5 anos, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. Sua etiologia é desconhecida, mas acredita-se que seja desencadeada por um agente infeccioso em indivíduos geneticamente predispostos, levando a uma resposta imune desregulada que ataca os vasos sanguíneos, especialmente as artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre prolongada (≥ 5 dias) e pelo menos quatro dos cinco critérios principais: exantema, conjuntivite bilateral, alterações orais (língua em framboesa, lábios fissurados), alterações de extremidades (edema, eritema, descamação) e linfadenopatia cervical. É crucial suspeitar da doença em crianças com febre inexplicada e esses sinais, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta o risco de complicações cardíacas. Exames laboratoriais podem mostrar marcadores inflamatórios elevados, como PCR e VHS. O tratamento padrão consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS), inicialmente em dose anti-inflamatória e depois antiagregante. A IVIG deve ser administrada idealmente nos primeiros 10 dias de febre para maximizar a prevenção de aneurismas coronarianos. O monitoramento cardíaco com ecocardiograma é essencial durante o curso da doença e no acompanhamento, mesmo após a resolução dos sintomas agudos, para detectar e gerenciar possíveis sequelas cardiovasculares.
O diagnóstico da Doença de Kawasaki requer febre por cinco ou mais dias, acompanhada de pelo menos quatro dos cinco critérios principais: exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema, eritema), conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais (língua em framboesa, lábios fissurados) e linfadenopatia cervical.
A IVIG é o tratamento principal porque reduz significativamente a inflamação sistêmica e o risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave da doença. Ela modula a resposta imune e deve ser administrada idealmente nos primeiros 10 dias de febre.
A complicação mais temida da Doença de Kawasaki são os aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a isquemia miocárdica, infarto e morte súbita. Outras complicações incluem miocardite, pericardite e valvulite, além de manifestações gastrointestinais e neurológicas.
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