Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020
Em um plantão na enfermaria, um médico admite criança de 3 anos de idade para investigação de quadro febril. Mãe relata febre persistente de início há nove dias. Refere que, no início do quadro, os olhos ficaram vermelhos, sem eliminação de secreção, agora já em melhora. Ao exame físico, observa-se ainda exantema micropapular difuso, eritema dos lábios com língua em framboesa, nódulo cervical à direita medindo cerca de 2 cm, sem sinais flogísticos e edema e eritema das mãos, sem outras alterações, hemodinamicamente estável. Mãe negou comorbidades, alergias ou uso de medicações. Vacinação em dia. Diante do quadro apresentado, qual a conduta mais indicada?
Kawasaki: Febre >5 dias + 4/5 critérios (conjuntivite, boca, exantema, linfonodo, extremidades) → iniciar tratamento sem atraso.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda que requer diagnóstico e tratamento precoces para prevenir aneurismas de artérias coronárias. O diagnóstico é clínico, mas exames laboratoriais (VHS, PCR, hemograma) e ecocardiograma são essenciais para avaliar a extensão da inflamação e a presença de acometimento cardíaco, não devendo atrasar o início da terapia.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. Sua importância clínica reside no potencial de causar aneurismas de artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia ou morte súbita. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na presença de febre prolongada e um conjunto de achados mucocutâneos e linfonodais. A suspeita deve ser alta em crianças com febre persistente sem foco aparente, especialmente se acompanhada de exantema, conjuntivite, alterações orais (língua em framboesa, lábios fissurados), edema/eritema de mãos e pés e linfadenopatia cervical. A fase prodrômica pode ser inespecífica, mas a evolução para os critérios clássicos é rápida. O tratamento padrão consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses na fase aguda, seguido por baixas doses. O objetivo é reduzir a inflamação e prevenir o dano coronariano. O ecocardiograma é essencial para o diagnóstico e acompanhamento, sendo realizado no momento da admissão, após o tratamento e em intervalos regulares para monitorar a saúde das artérias coronárias.
Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias, acompanhada de quatro dos cinco achados: conjuntivite bilateral não purulenta, alterações orais (lábios eritematosos, língua em framboesa), exantema polimorfo, linfadenopatia cervical e alterações nas extremidades (edema e eritema de mãos/pés).
O tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS) é crucial para reduzir o risco de desenvolvimento de aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave e potencialmente fatal da doença.
Exames como VHS, PCR e hemograma são úteis para avaliar a inflamação sistêmica. O ecocardiograma é fundamental para monitorar o acometimento cardíaco e identificar aneurismas coronarianos, sendo realizado no diagnóstico e em acompanhamento.
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