SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Uma criança de 10 meses de vida foi levada ao pronto-socorro com história de febre alta há dois dias, sem outros sintomas. O diagnóstico inicial foi febre sem sinais de localização, provavelmente por um quadro viral inespecífico. Recebeu alta sintomático, e os pais foram orientados a aguardar a resolução espontânea do quadro. No quinto dia de febre, retornou ao pronto atendimento para reavaliação. Além da febre, observaram-se hiperemia de conjuntivas sem secreção, exantema em tronco e região perineal, além de ressecamento e fissuras nos lábios. Ao exame físico, foram verificados linfonodo cervical direito palpável, medindo cerca de 1,5 cm, discreto edema em dorso das mãos e dos pés, sem descamação e orofaringe difusamente hiperemiada, sem placas de pus ou lesões aftosas. Realizou testes rápidos para Sars-CoV-2 e influenza, com resultados negativos. Nesse caso, a conduta mais adequada é
Febre >5 dias + 4/5 critérios Kawasaki (conjuntivite, exantema, lábios/orofaringe, linfonodo, extremidades) → Suspeitar Kawasaki e investigar.
O quadro clínico da criança (febre prolongada > 5 dias, conjuntivite, exantema, lábios fissurados, linfonodomegalia, edema de extremidades) é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki. É uma vasculite sistêmica que requer diagnóstico e tratamento precoces para prevenir complicações cardíacas graves, como aneurismas coronarianos.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda, febril, de etiologia desconhecida, que afeta principalmente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O reconhecimento precoce é fundamental, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente o risco de complicações cardíacas, especialmente a formação de aneurismas nas artérias coronárias. O quadro clínico típico, como o descrito na questão, envolve febre prolongada (≥ 5 dias) acompanhada de uma constelação de sintomas mucocutâneos e linfáticos. Os critérios diagnósticos incluem febre por 5 dias ou mais e pelo menos 4 dos 5 achados principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (lábios eritematosos, fissurados, língua em framboesa), exantema polimorfo, linfonodomegalia cervical não supurativa (>1,5 cm) e alterações de extremidades (edema e eritema agudos, descamação periungueal na fase de convalescença). A investigação laboratorial inicial deve incluir hemograma completo (leucocitose, anemia, plaquetose tardia), marcadores inflamatórios (PCR, VHS elevados), transaminases (podem estar elevadas) e EAS (piúria estéril). O ecocardiograma é o exame mais importante para avaliar o envolvimento coronariano e deve ser realizado ao diagnóstico e repetido durante o acompanhamento. O tratamento padrão é com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina em altas doses na fase aguda, seguido de baixas doses.
Os critérios incluem febre por 5 dias ou mais, associada a pelo menos 4 dos 5 sinais principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral, exantema polimorfo, linfonodomegalia cervical e alterações de extremidades (edema, eritema, descamação).
O ecocardiograma é crucial para avaliar o envolvimento cardíaco, especialmente a presença de aneurismas nas artérias coronárias, que é a complicação mais grave e a principal causa de morbimortalidade a longo prazo na Doença de Kawasaki.
O diagnóstico e o tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e aspirina são essenciais para reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de aneurismas coronarianos e outras complicações cardíacas, melhorando o prognóstico da doença.
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