Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Complicações Cardíacas

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Doenças exantemáticas são um desafio diagnóstico para o médico, pela similaridade das manifestações clínicas com outras doenças comuns na infância. Uma doença destaca- se pela gravidade das complicações, sendo a vasculite coronariana a mais comum. trata- se de:

Alternativas

  1. A) Eritema infeccioso.
  2. B) Sarampo.
  3. C) Exantema súbito.
  4. D) Doença de Kawasaki.
  5. E) Escarlatina.

Pérola Clínica

Doença de Kawasaki → vasculite coronariana + febre >5d + exantema + mucosite + linfadenopatia.

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, com risco significativo de aneurismas de artérias coronárias se não tratada precocemente. A febre prolongada (>5 dias) associada a exantema e outras manifestações mucocutâneas deve levantar a suspeita.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos, sendo a principal causa de doença cardíaca adquirida na infância em países desenvolvidos. Sua importância clínica reside na potencial gravidade das complicações cardiovasculares, especialmente os aneurismas de artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia e morte súbita. A incidência varia globalmente, sendo mais comum na Ásia. A fisiopatologia envolve uma resposta imune desregulada que leva à inflamação da parede dos vasos sanguíneos, principalmente das artérias de médio calibre. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e quatro dos cinco critérios principais (conjuntivite, alterações orais, alterações de extremidades, exantema e linfadenopatia cervical). É crucial suspeitar da doença em crianças com febre prolongada sem foco aparente, mesmo na ausência de todos os critérios, especialmente em lactentes jovens (Kawasaki incompleta). O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente nos primeiros 10 dias de febre, para reduzir o risco de aneurismas coronarianos. Consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses na fase aguda, seguido por baixas doses na fase de convalescença. O prognóstico é excelente com tratamento adequado, mas o acompanhamento cardiológico é fundamental para monitorar possíveis sequelas coronarianas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por pelo menos 5 dias, associada a quatro dos cinco achados principais: conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais (lábios eritematosos/fissurados, língua em framboesa), alterações nas extremidades (edema, eritema), exantema polimorfo e linfadenopatia cervical.

Qual é a principal complicação da Doença de Kawasaki e como preveni-la?

A principal complicação é a formação de aneurismas de artérias coronárias. A prevenção envolve o tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses na fase aguda.

Como diferenciar a Doença de Kawasaki de outras doenças exantemáticas na infância?

A febre prolongada e a presença dos critérios específicos de Kawasaki (conjuntivite, mucosite, alterações de extremidades, exantema, linfadenopatia) a distinguem de outras exantemáticas virais ou bacterianas, que geralmente não cursam com vasculite coronariana.

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