Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Manejo Urgente

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

FS, sexo masculino, 5 anos de idade, apresenta quadro de febre diária de até 39,1 °C, há 6 dias. No terceiro dia da febre, a mãe o levou ao pronto-socorro, sendo feito o diagnóstico de amigdalite e prescrito amoxicilina. FS começou a tomar no dia seguinte (4º dia do início dos sintomas). Hoje pela manhã a criança foi levada novamente ao pronto-socorro, devido ao surgimento de hiperemia conjuntival, sem prurido ou secreção ocular e manchas em dorso e tórax. No exame clínico de hoje, a criança se encontra em regular estado geral, descorada 1+/4+, febril (38 °C). Hiperemia conjuntival bilateral. Exantema com placas e manchas em tórax, dorso e ombros. Orosocopia com enantema e fissuras labiais, amígdalas hiperemiadas, linfonodo em cadeia cervical anterior direita, com 2 cm de diâmetro, móvel, fibroelástico, sem sinais flogísticos. Semilogia pulmonar, cardíaca e abdominal normais. Edema em ambas as mãos, com discreta descamação periungueal. A melhor conduta neste momento além de antitérmico é:

Alternativas

  1. A) Suspender amoxicilina e tomografia cervical.
  2. B) Anti-histamínico e trocar amoxicilina por cefuroxima.
  3. C) Anti-histamínico e suspender amoxicilina.
  4. D) Anti-histamínico e trocar amoxicilina para eritromicina.
  5. E) Suspender amoxicilina e realizar ecocardiograma.

Pérola Clínica

Febre >5 dias + 4/5 critérios Kawasaki → suspeitar e realizar ecocardiograma urgente.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre prolongada (>5 dias) associado a hiperemia conjuntival, exantema, alterações labiais/orais, linfonodomegalia e edema de mãos/pés é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki. A conduta prioritária é investigar complicações cardíacas, como aneurismas coronarianos, através de ecocardiograma.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica aguda da infância, de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente artérias de médio calibre, com predileção pelas artérias coronárias. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico e baseia-se na presença de febre por pelo menos cinco dias, associada a quatro dos cinco critérios principais: hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral (fissuras labiais, língua em framboesa, eritema difuso da orofaringe), exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema e eritema de mãos e pés na fase aguda, descamação periungueal na fase subaguda) e linfonodomegalia cervical não supurativa. O caso clínico apresentado, com febre prolongada, hiperemia conjuntival, exantema, fissuras labiais, linfonodomegalia e edema de mãos com descamação periungueal, é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki. A falha da amoxicilina em resolver o quadro, inicialmente diagnosticado como amigdalite, reforça a necessidade de considerar diagnósticos diferenciais. A complicação mais temida da Doença de Kawasaki é o desenvolvimento de aneurismas das artérias coronárias, que podem levar a isquemia miocárdica, infarto e morte súbita. Portanto, a conduta mais importante, além do controle sintomático da febre, é a realização urgente de um ecocardiograma para avaliar as artérias coronárias e a função cardíaca. O tratamento com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e ácido acetilsalicílico (AAS) deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente nos primeiros 10 dias de doença, para reduzir o risco de formação de aneurismas. O atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente o risco de complicações cardíacas permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Doença de Kawasaki?

Os critérios incluem febre por 5 ou mais dias e pelo menos 4 dos 5 achados: hiperemia conjuntival bilateral, alterações orais/labiais, exantema polimorfo, edema/eritema de mãos/pés e linfonodomegalia cervical.

Por que o ecocardiograma é essencial na Doença de Kawasaki?

O ecocardiograma é fundamental para detectar aneurismas de artérias coronárias, a complicação mais grave da doença, que pode levar a infarto do miocárdio e morte súbita. Deve ser realizado precocemente e repetido.

Qual o tratamento inicial da Doença de Kawasaki?

O tratamento padrão é imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única, associada a ácido acetilsalicílico (AAS) em altas doses na fase aguda, para reduzir o risco de aneurismas coronarianos.

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