PSU-ES - Processo Seletivo Unificado do Espírito Santo — Prova 2024
Considere o caso a seguir: Lactente de 1 ano e 7 meses, masculino, apresenta quadro de febre iniciado há 6 dias, frequentemente acima de 39ºC, associado ao aparecimento de exantema em tronco e a perda de apetite. Hiperemia conjuntival, lábios fissurados e bastante hiperemiados. Ao exame físico, o pediatra observa edemas em mãos e pés, além de proeminente linfonodomegalia cervical bilateral, com maior linfonodo com cerca de 2 cm. O paciente apresentava-se sem esforço respiratório, e sem alterações de ausculta pulmonar ou cardíaca. Preocupado com o quadro, o pediatra recomenda a internação da criança.Sobre o quadro acima descrito, assinale a alterativa CORRETA:
Febre >5 dias + 4 dos 5 critérios (conjuntivite, lábios/cavidade oral, exantema, edema mãos/pés, linfonodo cervical) = Doença de Kawasaki → Imunoglobulina + AAS.
O quadro clínico do lactente é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica aguda que afeta principalmente crianças pequenas. A presença de febre prolongada e pelo menos 4 dos 5 critérios diagnósticos clássicos indica a necessidade de tratamento imediato com imunoglobulina intravenosa e ácido acetilsalicílico para prevenir complicações cardíacas graves, como aneurismas coronarianos.
A Doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite sistêmica aguda de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente crianças menores de 5 anos. É a principal causa de doença cardíaca adquirida em crianças nos países desenvolvidos. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre por pelo menos 5 dias e a ocorrência de pelo menos 4 dos 5 critérios clínicos clássicos: hiperemia conjuntival, alterações de lábios e cavidade oral, exantema polimorfo, alterações de extremidades e linfonodomegalia cervical. O caso descrito, com febre prolongada, hiperemia conjuntival, lábios fissurados e hiperemiados, exantema em tronco, edema em mãos e pés, e linfonodomegalia cervical bilateral, preenche os critérios para o diagnóstico de Doença de Kawasaki. A ausência de sopro cardíaco não exclui a doença, pois as complicações cardíacas podem se desenvolver posteriormente. É crucial diferenciar a DK de outras doenças febris exantemáticas comuns na infância. O tratamento da Doença de Kawasaki é uma emergência pediátrica e deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente nos primeiros 10 dias de febre, para prevenir a principal complicação: os aneurismas das artérias coronárias. A terapia padrão consiste na administração de imunoglobulina intravenosa (IVIG) em dose única e ácido acetilsalicílico (AAS), inicialmente em dose anti-inflamatória e, após a defervescência, em dose antiplaquetária por um período prolongado. O ecocardiograma é essencial para monitorar o envolvimento cardíaco.
Os 5 critérios são: 1) Hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa; 2) Alterações de lábios e cavidade oral (lábios eritematosos, fissurados, língua em framboesa); 3) Exantema polimorfo; 4) Alterações de extremidades (edema e eritema de mãos e pés, descamação periungueal); 5) Linfonodomegalia cervical unilateral > 1,5 cm. A febre por mais de 5 dias é obrigatória.
A imunoglobulina intravenosa (IVIG) visa reduzir a inflamação sistêmica e prevenir a formação de aneurismas coronarianos. O ácido acetilsalicílico (AAS) é usado inicialmente em dose anti-inflamatória para controlar a inflamação e a febre, e posteriormente em dose antiplaquetária para prevenir a trombose nos aneurismas.
A complicação cardíaca mais grave e temida é a formação de aneurismas nas artérias coronárias, que podem levar a infarto do miocárdio, isquemia miocárdica e morte súbita. Outras complicações incluem miocardite, pericardite e valvulite.
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