Doença de Kawasaki: Diagnóstico e Complicações Coronárias

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Menino, 3 anos de idade, é levado à UPA com história de febre alta há seis dias, que não responde a antitérmicos, além de erupções cutâneas no tronco e edema e eritema em mãos e pés. Ao exame físico, criança irritadiça, Temperatura: 38,9ºC; adenopatia cervical bilateral; hiperemia ocular bilateral, sem secreção; os lábios estão ressecados, rachados e vermelhos, e a língua também vermelha, com aspecto de morango. Identifique o exame complementar indispensável para avaliar a complicação mais importante da doença que, provavelmente, esse paciente representa:

Alternativas

  1. A) Hemocultura
  2. B) Ecocardiograma.
  3. C) Radiografia de tórax.
  4. D) Ultrassonografia abdominal.

Pérola Clínica

Febre ≥ 5 dias + 4 critérios clínicos → Kawasaki → Ecocardiograma imediato para avaliar coronárias.

Resumo-Chave

A Doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica de médios vasos que afeta predominantemente crianças. O ecocardiograma é vital para detectar aneurismas coronarianos, a complicação mais grave.

Contexto Educacional

A Doença de Kawasaki é a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças em países desenvolvidos. Trata-se de uma vasculite necrotizante que ataca vasos de médio calibre. O reconhecimento precoce é fundamental, pois a fase aguda inflamatória é o momento em que a imunoglobulina exerce seu maior efeito protetor sobre o endotélio coronariano. Clinicamente, a irritabilidade intensa é um achado marcante e quase universal. Laboratorialmente, observa-se elevação de provas de atividade inflamatória (VHS e PCR) e, frequentemente, trombocitose na fase subaguda. O manejo exige equipe multidisciplinar com pediatria e cardiologia pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos clássicos da Doença de Kawasaki?

O diagnóstico é clínico e requer febre persistente por pelo menos 5 dias, associada a pelo menos 4 de 5 critérios: 1) Alterações nas extremidades (edema/eritema ou descamação); 2) Exantema polimorfo; 3) Hiperemia conjuntival bilateral não exsudativa; 4) Alterações labiais e na cavidade oral (língua em morango, fissuras); 5) Linfadenopatia cervical (geralmente única e > 1,5 cm).

Por que o ecocardiograma é obrigatório no diagnóstico?

O ecocardiograma é essencial para avaliar a anatomia das artérias coronárias. A principal complicação da vasculite de Kawasaki é a formação de aneurismas coronarianos, que podem levar a infarto agudo do miocárdio ou morte súbita. O exame deve ser feito no diagnóstico e repetido periodicamente para monitoramento.

Qual o tratamento padrão para prevenir sequelas cardíacas?

O tratamento de escolha é a administração de Imunoglobulina Intravenosa (IVIG) em dose única (2g/kg), idealmente até o 10º dia de febre, associada ao Ácido Acetilsalicílico (AAS). Essa intervenção reduz drasticamente a incidência de aneurismas coronarianos de 25% para menos de 5%.

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