Doença Isquêmica do Coração em Mulheres: Particularidades e Desfechos

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

Sobre as diferenças na doença isquêmica do coração entre homens e mulheres, publicada no Posicionamento sobre Doença Isquêmica do Coração (DIC) – Mulher no Centro do Cuidado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2023, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A dor torácica não é o sintoma mais prevalente de IAM em mulheres, sendo as mulheres mais propensas a apresentar sintomas atípicos, incluindo dor na parte superior das costas e pescoço, fadiga, náuseas e vômitos.
  2. B) As mulheres são mais propensas do que os homens a apresentar ruptura de placa e, nelas, a revascularização da artéria ocluída pode ser mais difícil, devido ao sangramento no local de acesso e artérias coronárias pequenas e tortuosas.
  3. C) As mulheres têm artérias coronárias epicárdicas menores do que os homens, mesmo após ajuste para superfície corporal e massa do ventrículo esquerdo, porém, em comparação com os homens, as mulheres têm maior prevalência de aterosclerose coronariana obstrutiva.
  4. D) As mulheres que apresentam DIC obstrutiva geralmente são mais velhas do que os homens, têm mais comorbidades cardiovasculares e maior incidência de desfechos cardiovasculares adversos, incluindo mortalidade após infarto agudo do miocárdio (IAM).
  5. E) Sobre a fisiopatologia de formação de placa aterosclerótica coronariana, não há diferença relevante entre os sexos, porém estudos mostram uma maior sensibilidade do teste ergométrico para detecção de doença coronária isquêmica no sexo feminino.

Contexto Educacional

A doença isquêmica do coração (DIC) em mulheres apresenta características distintas em comparação com os homens, que são cruciais para o diagnóstico e manejo adequados. Historicamente, a DIC foi mais estudada em homens, levando a uma subestimação e subdiagnóstico em mulheres. No entanto, diretrizes e posicionamentos recentes, como o da Sociedade Brasileira de Cardiologia, têm enfatizado essas diferenças. Mulheres tendem a desenvolver DIC em idade mais avançada, frequentemente com um perfil de comorbidades mais complexo, incluindo diabetes, hipertensão e doenças autoimunes, que podem influenciar a apresentação clínica e o prognóstico. Além disso, os sintomas de infarto agudo do miocárdio (IAM) podem ser atípicos, com maior prevalência de fadiga, dispneia e desconforto em outras regiões, em vez da dor torácica clássica. Essas particularidades contribuem para atrasos no diagnóstico e tratamento, resultando em piores desfechos cardiovasculares, incluindo maior mortalidade pós-IAM em mulheres. Para residentes, é imperativo reconhecer essas diferenças de gênero na DIC para otimizar a abordagem diagnóstica, terapêutica e preventiva, garantindo um cuidado equitativo e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas atípicos de IAM mais comuns em mulheres?

Mulheres são mais propensas a apresentar sintomas como fadiga, dispneia, náuseas, vômitos, dor nas costas ou mandíbula, em vez da dor torácica clássica.

Por que as mulheres têm piores desfechos após IAM?

Fatores incluem diagnóstico tardio devido a sintomas atípicos, maior idade e carga de comorbidades no momento do evento, e diferenças na resposta ao tratamento e na fisiopatologia da doença.

Existem diferenças na fisiopatologia da aterosclerose coronariana entre os sexos?

Sim, mulheres podem ter maior prevalência de disfunção microvascular e aterosclerose não obstrutiva, além de artérias coronárias menores, o que pode influenciar o diagnóstico e a revascularização.

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