HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022
Euclides, 61 anos, aposentado há 5 anos por problemas respiratórios. Trabalhou muitos anos em pedreira. Vem hoje na consulta para mostrar o resultado da espirometria. Apresenta dispneia há muito tempo que vem agravando-se. Refere que é tabagista há muitos anos e não consegue deixar este vício. É hipertenso e vem fazendo uso de Enalapril 20mg ao dia. Ao exame físico apresenta TA: 138/80mmHg, FC: 88 spm, FR: 18ipm. BEG, corado, eutrófico, IMC: 29AR: MV + com estertores crepitantes em bases.AC: RCR em 2TAbdome: sem organomegalias, RHA+.Extremidades: pulsos presentes, sem edema.Qual é o provável diagnóstico e o que seria esperado encontrar na espirometria.
Trabalhador de pedreira + tabagista + dispneia + crepitantes + espirometria restritiva → suspeitar doença intersticial pulmonar (silicose/fibrose).
O histórico de trabalho em pedreira sugere exposição a sílica, um fator de risco para silicose e doença intersticial pulmonar. A associação com tabagismo pode agravar o quadro. A dispneia progressiva, estertores crepitantes e um padrão restritivo na espirometria são achados clássicos de doença intersticial pulmonar, que se manifesta com redução dos volumes pulmonares e fluxo normal ou aumentado.
A doença intersticial pulmonar (DIP) é um grupo heterogêneo de doenças que afetam o interstício pulmonar, resultando em inflamação e/ou fibrose. A história clínica de Euclides, com 61 anos, aposentado por problemas respiratórios, histórico de trabalho em pedreira (exposição a sílica) e tabagismo, além de dispneia progressiva e estertores crepitantes em bases pulmonares, é altamente sugestiva de uma DIP, possivelmente silicose com fibrose pulmonar. A silicose é uma pneumoconiose causada pela inalação de partículas de sílica cristalina, comum em trabalhadores de mineração e pedreiras. O diagnóstico de DIP é complexo e envolve a correlação de dados clínicos, radiológicos e funcionais. A espirometria é uma ferramenta fundamental para avaliar a função pulmonar. Em pacientes com DIP, o padrão esperado na espirometria é um distúrbio ventilatório restritivo. Este padrão é caracterizado por uma redução proporcional da Capacidade Vital Forçada (CVF) e do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), resultando em uma relação VEF1/CVF normal ou até aumentada (geralmente > 0,7 ou 70%). Isso indica que o problema não é a dificuldade de expirar o ar (obstrução), mas sim a redução da capacidade pulmonar total devido à fibrose ou inflamação do tecido pulmonar. O manejo da DIP depende da etiologia e da gravidade. No caso de silicose, a cessação da exposição é primordial. O tabagismo é um fator agravante para muitas DIPs, incluindo a silicose, e a cessação é crucial. O prognóstico varia, mas muitas DIPs, especialmente as fibróticas, são progressivas e podem levar à insuficiência respiratória. O tratamento pode incluir oxigenoterapia, reabilitação pulmonar e, em alguns casos, medicamentos antifibróticos ou imunossupressores.
Clinicamente, os pacientes apresentam dispneia progressiva e tosse seca. Ao exame físico, podem ser ouvidos estertores crepitantes finos e secos ("velcro"). Na imagem, a tomografia de tórax de alta resolução (TCAR) pode mostrar opacidades reticulares, faveolamento e bronquiectasias de tração.
Na espirometria, o distúrbio ventilatório restritivo é caracterizado pela redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), com uma relação VEF1/CVF normal ou até aumentada, indicando que o fluxo aéreo não está obstruído, mas o volume pulmonar está diminuído.
O trabalho em pedreira expõe os indivíduos à sílica cristalina, que, quando inalada, pode levar à silicose, uma forma de pneumoconiose que causa inflamação e fibrose pulmonar progressiva, caracterizando uma doença intersticial pulmonar.
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