UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020
Mulher de 32 anos, G4P3A1C2, em uso de DIU de cobre como método contraceptivo, apresenta dor em baixo ventre de forte intensidade associada à febre. Exame físico: REG, T 39,2 ºC, abdome doloroso e reativo, predominantemente à palpação de FIE, conteúdo vaginal anormal com secreção amarelada e espessa, em moderada quantidade, Whiff Test +, dor ao toque bimanual e à palpação, de regiões anexiais, anexo esquerdo aumentado de tamanho (duas vezes), pouco móvel. A conduta inicial é
DIP grave com massa anexial em usuária de DIU → USG transvaginal + ATB hospitalar.
A presença de febre alta, dor intensa, massa anexial e Whiff Test positivo em usuária de DIU de cobre sugere DIP grave, possivelmente com formação de abscesso tubo-ovariano. A ultrassonografia transvaginal é crucial para confirmar a presença e extensão do abscesso, enquanto a antibioticoterapia hospitalar é a conduta inicial para casos graves.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino, que pode envolver o útero, tubas uterinas e ovários. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, sendo uma das principais causas de infertilidade e dor pélvica crônica. O uso de DIU, especialmente o de cobre, aumenta o risco de DIP nos primeiros meses após a inserção, embora o risco absoluto seja baixo. O diagnóstico da DIP é clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo e dor anexial. No entanto, a presença de febre alta, massa anexial, leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios sugere um quadro mais grave, como um abscesso tubo-ovariano (ATO). Nesses casos, a ultrassonografia transvaginal é crucial para confirmar a presença e a extensão do abscesso, diferenciando-o de outras condições e orientando a conduta. A conduta inicial para DIP grave, especialmente com suspeita de ATO, é a internação hospitalar e antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, cobrindo patógenos comuns como Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis e bactérias anaeróbias. A remoção do DIU deve ser considerada após o início da antibioticoterapia em casos de DIP grave ou refratária, para evitar a persistência do foco infeccioso.
Sinais de alerta incluem febre alta, dor pélvica intensa, secreção vaginal purulenta, dor à mobilização do colo e, especialmente, a presença de massa anexial palpável, que pode indicar um abscesso tubo-ovariano.
A ultrassonografia transvaginal é fundamental para avaliar a extensão da infecção, identificar a presença de abscesso tubo-ovariano, hidrossalpinge ou outras complicações, guiando a decisão terapêutica e o acompanhamento.
A remoção do DIU é recomendada em casos de DIP grave ou refratária ao tratamento, após o início da antibioticoterapia. Em casos leves, pode-se manter o DIU sob observação rigorosa.
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