SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2020
Mulher, 25 anos, comparece ao pronto-atendimento com quadro de dor abdominal intensa há 3 dias. Nega náuseas, vômitos ou hiporexia. Nega atraso menstrual. Refere secreção vaginal amarelada em pequena quantidade. Ao exame: dor abdominal em fossa ilíaca esquerda com descompressão positiva, conteúdo vaginal moderado e fétido oriundo do colo uterino, dor a mobilização de anexo direito. Assinale a alternativa que indica corretamente qual a melhor conduta para o caso apresentado.
DIP grave com sinais de peritonite → internação e ATB IV (Clindamicina + Gentamicina).
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) com sinais de gravidade, como dor abdominal intensa, descompressão brusca positiva (sugerindo peritonite) ou suspeita de abscesso tubo-ovariano, requer internação hospitalar e antibioticoterapia endovenosa para garantir a erradicação da infecção e prevenir complicações.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica causada pela ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o superior, afetando útero, tubas uterinas e ovários. É uma causa comum de dor pélvica em mulheres jovens e sexualmente ativas. A importância clínica reside no risco de sequelas reprodutivas graves, como infertilidade e gravidez ectópica, se não tratada adequadamente. A fisiopatologia envolve infecção polimicrobiana, frequentemente por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, mas também por bactérias entéricas e anaeróbias. O diagnóstico é clínico, baseado em dor pélvica, dor à mobilização do colo uterino e dor anexial. Sinais de gravidade como febre alta, náuseas, vômitos e sinais de peritonite (descompressão positiva) indicam a necessidade de internação. O tratamento da DIP varia conforme a gravidade. Casos leves podem ser tratados ambulatorialmente com antibióticos orais e dose única intramuscular. Casos graves, com sinais de peritonite, abscesso ou falha terapêutica oral, exigem internação hospitalar e antibioticoterapia endovenosa. Esquemas como Clindamicina + Gentamicina ou Cefoxitina/Cefotetana + Doxiciclina são eficazes.
Os critérios para internação incluem: falha do tratamento ambulatorial, gravidez, imunodeficiência, doença grave (náuseas, vômitos, febre alta), suspeita de abscesso tubo-ovariano, incerteza diagnóstica (para excluir apendicite) e incapacidade de tolerar medicação oral.
Um esquema recomendado para DIP grave é a combinação de Clindamicina (com cobertura para anaeróbios) e Gentamicina (aminoglicosídeo com amplo espectro), administrados por via endovenosa até melhora clínica, seguida de terapia oral.
As complicações de uma DIP não tratada incluem dor pélvica crônica, infertilidade, gravidez ectópica, abscesso tubo-ovariano, peri-hepatite (síndrome de Fitz-Hugh-Curtis) e sepse.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo