DIP Grave: Diagnóstico e Manejo em Adolescentes

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Jovem, 16 anos, nuligesta, sexualmente ativa, admitida com dor hipogástrica intensa, há menos de 24 horas, acompanhada de febre não aferida e vômitos. Relata ter notado, há uma semana, presença de corrimento vaginal branco amarelado e dispareunia. Não lembra a data da última menstruação. Apresenta dor à palpação bimanual do útero e à sua mobilização, com anexos livres. Exame especular sem alterações. Ultrassonografia transvaginal mostra evidência de grande quantidade de líquido livre na pelve. Para esse caso, a principal hipótese diagnóstica e a melhor conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) gestação ectópica rota / internação hospitalar, solicitação de βHCG e hemograma,além de indicação de laparotomia.
  2. B) doença inflamatória pélvica / internação hospitalar, solicitação de βHCG, hemograma e pesquisa de outras infecções sexualmente transmissíveis, além de início de antibioticoterapia venosa.
  3. C) apendicite / internação hospitalar, solicitar βHCG, hemograma e bioquímica, além de indicação de laparotomia.
  4. D) torção de cisto anexial / internação hospitalar, solicitação de βHCG e indicação de laparotomia
  5. E) gestação ectópica / internação hospitalar e solicitação de βHCG.

Pérola Clínica

Jovem sexualmente ativa com dor pélvica, febre, corrimento e líquido livre na pelve → DIP grave, internação + ATB IV.

Resumo-Chave

A apresentação clínica de dor pélvica aguda, febre, corrimento e sinais de irritação peritoneal (líquido livre na pelve) em uma jovem sexualmente ativa é altamente sugestiva de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) grave, exigindo internação e tratamento intravenoso. É crucial excluir gestação ectópica.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que engloba infecções do trato genital superior feminino, como endometrite, salpingite, ooforite, abscesso tubo-ovariano e peritonite pélvica. É uma das principais causas de dor pélvica aguda em mulheres jovens e sexualmente ativas, com etiologia polimicrobiana, frequentemente envolvendo Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. A DIP pode levar a complicações graves como infertilidade, dor pélvica crônica e gestação ectópica. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado na presença de dor pélvica, dor à mobilização do colo e/ou dor anexial. Sinais como febre, corrimento purulento, leucocitose e líquido livre na pelve (sugerindo peritonite) indicam um quadro mais grave. É fundamental realizar um teste de gravidez (βHCG) para excluir gestação ectópica, que pode mimetizar a DIP e é uma emergência ginecológica. A conduta para DIP varia conforme a gravidade. Em casos graves, como o descrito, com febre, vômitos e líquido livre na pelve, a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro são mandatórios. O tratamento deve cobrir os principais patógenos e ser mantido até a melhora clínica, seguido por antibioticoterapia oral para completar o esquema. A pesquisa de outras infecções sexualmente transmissíveis é crucial para o manejo e prevenção de recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos incluem dor à palpação abdominal inferior, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação anexial. Critérios adicionais como febre, corrimento purulento, leucocitose e elevação de PCR/VHS apoiam o diagnóstico.

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada para pacientes com DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, sinais de peritonite, abscesso tubo-ovariano), gestantes, imunocomprometidas, adolescentes, falha no tratamento ambulatorial ou quando o diagnóstico é incerto.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da dor pélvica aguda em jovens sexualmente ativas?

Os principais diagnósticos diferenciais incluem gestação ectópica, apendicite aguda, torção de cisto ovariano, ruptura de cisto ovariano e infecção do trato urinário, sendo crucial a exclusão da gestação ectópica.

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