Tratamento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) 2024

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2024

Enunciado

F.Z.P., 21 anos, GI PI 1N A0, vem ao PSO com queixa de dor pélvica há 2 dias. Dor de início em hipogástrio, estende para fossas ilíacas e lombar. Nega disúria. Refere piora da dor nas últimas 24 horas, sendo contínua, associada a discreto sangramento vaginal. Nega febre aferida, nega alteração de hábito intestinal. Nega náuseas ou vômitos. Alega secreção vaginal acinzentada, fétida após relação sexual. Em uso regular de ACHO . Ao exame físico: FC 80 bpm, Tax 38º C, PA 100 x 70 mmHg. Abdome: dor à descompressão brusca negativa, ausência de massas ou tumorações. Dor a palpação profunda de hipogástrio e fossas ilíacas. Giordano negativo. Especular: conteúdo vaginal cinzentado e bolhoso, discreto sangramento pelo orifício externo do colo uterino. TV bimanual: dor à mobilização do colo e corpo uterino. Útero de volume normal.Após se chegar ao diagnóstico mais provável, assinale a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Doxiciclina + metronidazol VO+ ceftriaxona 250 mg IM.
  2. B) Internação para antibioticoterapia EV.
  3. C) Laparotomia exploradora por abdome agudo.
  4. D) Nitrofurantoína VO.
  5. E) Ceftriaxone EV por 7 dias.

Pérola Clínica

DIP Estágio I (Monif) → Tratamento ambulatorial: Ceftriaxona (IM) + Doxiciclina (VO) + Metronidazol (VO).

Resumo-Chave

A DIP leve a moderada (sem sinais de peritonite ou abscesso) deve ser tratada ambulatorialmente com esquema tríplice para cobrir N. gonorrhoeae, C. trachomatis e anaeróbios.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica decorrente da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o superior (endométrio, trompas, ovários). Os principais agentes etiológicos são a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis, mas a infecção costuma ser polimicrobiana. A classificação de Monif orienta a conduta: Estágio I (salpingite sem peritonite) permite tratamento ambulatorial; Estágio II (salpingite com peritonite) e Estágio III (abscesso tubo-ovariano) requerem internação e antibioticoterapia endovenosa. O tratamento precoce e completo é vital para prevenir sequelas graves como infertilidade tubária, dor pélvica crônica e aumento do risco de gravidez ectópica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para DIP?

O diagnóstico é clínico, baseado em critérios maiores (dor infraumbilical, dor à mobilização do colo e dor anexial) e critérios menores (febre, leucocitose, VHS/PCR elevados, comprovação de infecção por gonococo ou clamídia). A presença de 3 critérios maiores associados a pelo menos 1 menor confirma o diagnóstico.

Qual o esquema ambulatorial padrão para DIP?

O esquema recomendado pelo Ministério da Saúde é Ceftriaxona 500mg IM (dose única) associada a Doxiciclina 100mg VO (12/12h por 14 dias) e Metronidazol 500mg VO (12/12h por 14 dias). A inclusão do metronidazol é fundamental para cobertura de anaeróbios e tratamento de vaginose bacteriana associada.

Quando internar uma paciente com DIP?

As indicações de internação incluem: suspeita de abscesso tubo-ovariano, gravidez, intolerância ou falta de resposta à medicação oral após 72h, estado geral grave (náuseas, vômitos, febre alta) ou sinais de peritonite (classificação de Monif II ou superior).

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