Doença Inflamatória Pélvica: Diagnóstico e Tratamento Ambulatorial

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

JD, 35 anos, procura atendimento de emergência com quadro de dor abdominal intensa há dois dias. Ao exame físico, apresenta estado geral regular, febril (38,6 oC), abdome flácido, doloroso à palpação profunda em hipogástrio e fossas ilíacas bilateralmente. Nega dor à descompressão súbita do abdome. Observa-se corrimento purulento fluindo do canal cervical no exame especular e toque vaginal bimanual doloroso na mobilização do colo e em palpação de anexos. Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Tratar com dose única de azitromicina e ciprofloxacino via oral.
  2. B) Iniciar ceftriaxona e clindamicina endovenoso e reavaliar após 48 horas.
  3. C) Solicitar cultura com antibiograma da secreção endocervical para definir tratamento antibiótico.
  4. D) Iniciar tratamento ambulatorial com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol e reavaliar com 48 horas.

Pérola Clínica

DIP: dor hipogástrio + corrimento cervical + dor mobilização colo/anexos → tratamento ambulatorial ceftriaxona, doxiciclina, metronidazol.

Resumo-Chave

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior feminino. O diagnóstico é clínico, baseado em dor abdominal inferior, dor à mobilização do colo e/ou anexos, e corrimento cervical. O tratamento ambulatorial é a conduta inicial para casos não graves, cobrindo os principais patógenos.

Contexto Educacional

A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica resultante da ascensão de microrganismos do trato genital inferior para o trato genital superior feminino, afetando útero, tubas uterinas e ovários. É uma das principais causas de infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica, sendo crucial seu diagnóstico e tratamento precoces. Acomete principalmente mulheres jovens sexualmente ativas. O diagnóstico da DIP é eminentemente clínico, baseado em critérios como dor abdominal inferior, dor à palpação de anexos e dor à mobilização do colo uterino. Achados adicionais como febre, corrimento cervical purulento, leucocitose e aumento de PCR/VHS apoiam o diagnóstico. A fisiopatologia envolve a infecção ascendente, frequentemente por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae, mas também por bactérias da flora vaginal. O tratamento da DIP deve ser iniciado empiricamente o mais rápido possível para prevenir sequelas. O esquema ambulatorial recomendado inclui ceftriaxona (dose única IM) para gonorreia, doxiciclina (oral por 14 dias) para clamídia e metronidazol (oral por 14 dias) para anaeróbios. A reavaliação em 48-72 horas é fundamental para monitorar a resposta e considerar a internação se houver piora ou ausência de melhora.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos mínimos para Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos para DIP incluem dor abdominal inferior, dor à palpação dos anexos e dor à mobilização do colo uterino. Outros achados como febre e corrimento purulento reforçam o diagnóstico.

Qual o esquema antibiótico recomendado para o tratamento ambulatorial da DIP?

O tratamento ambulatorial da DIP geralmente envolve uma dose única de ceftriaxona intramuscular, seguida de doxiciclina oral por 14 dias e metronidazol oral por 14 dias, para cobrir os principais patógenos.

Quando a internação hospitalar é indicada para pacientes com DIP?

A internação é indicada em casos de DIP grave, gestação, ausência de resposta ao tratamento oral, intolerância à medicação oral, abscesso tubo-ovariano suspeito ou incerteza diagnóstica.

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