SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Mulher, 20 anos, é atendida na Unidade Básica de Saúde com queixa de dor pélvica há três dias, que se intensificou nas últimas 24 horas. Ao exame físico, apresenta-se com bom estado geral e afebril. Ao exame do abdome, refere dor na palpação profunda de hipogástrio e fossas ilíacas, bilateralmente. Nega dor à descompressão súbita do abdome. No exame especular, apresenta conteúdo purulento proveniente do canal cervical e, durante o toque vaginal bimanual, queixa-se de dor na mobilização do colo e no exame da região de anexos. Diante deste quadro clínico, qual a melhor conduta?
DIP ambulatorial: Ceftriaxona IM + Doxiciclina VO + Metronidazol VO por 14 dias.
O quadro clínico da paciente é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), caracterizado por dor pélvica, dor à mobilização do colo e anexos, e corrimento purulento. Na ausência de critérios de internação (febre alta, abscesso tubo-ovariano, gravidez, imunodeficiência, falha terapêutica oral), o tratamento ambulatorial é a conduta inicial adequada, cobrindo os principais patógenos (gonococo, clamídia e anaeróbios).
O tratamento da DIP deve ser empírico e iniciado o mais rápido possível. Para casos ambulatoriais, o esquema recomendado inclui uma dose única de Ceftriaxona IM para gonococo, Doxiciclina oral por 14 dias para clamídia e outros atípicos, e Metronidazol oral por 14 dias para anaeróbios. A adesão ao tratamento completo é fundamental para erradicar a infecção e minimizar o risco de complicações a longo prazo. O parceiro sexual também deve ser tratado para prevenir reinfecção.
Os critérios mínimos para DIP incluem dor à palpação abdominal em hipogástrio, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação dos anexos. Critérios adicionais como febre, corrimento cervical purulento e elevação de marcadores inflamatórios aumentam a especificidade diagnóstica.
A internação é indicada para gestantes, pacientes com abscesso tubo-ovariano, DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, dor intensa), imunodeficiência, falha no tratamento ambulatorial ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.
O esquema tríplice (Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol) visa cobrir o amplo espectro de patógenos envolvidos na DIP. A Ceftriaxona atua contra Neisseria gonorrhoeae, a Doxiciclina contra Chlamydia trachomatis e outros atípicos, e o Metronidazol contra bactérias anaeróbias, que são importantes na patogênese da DIP.
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