DIP Ambulatorial: Diagnóstico e Tratamento Empírico

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 20 anos, é atendida na Unidade Básica de Saúde com queixa de dor pélvica há três dias, que se intensificou nas últimas 24 horas. Ao exame físico, apresenta-se com bom estado geral e afebril. Ao exame do abdome, refere dor na palpação profunda de hipogástrio e fossas ilíacas, bilateralmente. Nega dor à descompressão súbita do abdome. No exame especular, apresenta conteúdo purulento proveniente do canal cervical e, durante o toque vaginal bimanual, queixa-se de dor na mobilização do colo e no exame da região de anexos. Diante deste quadro clínico, qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Solicitar hemograma e cultura do conteúdo endocervical e aguardar resultado para iniciar tratamento.
  2. B) Fazer tratamento em dose única com Azitromicina 500 mg, dois comprimidos via oral e Ceftriaxona 500 mg IM.
  3. C) Tratar com Ceftriaxona 500 mg IM em dose única, Doxiciclina 100 mg via oral, duas vezes ao dia, e Metronidazol 500 mg via oral, duas vezes ao dia, por 14 dias.
  4. D) Encaminhar para internamento e tratamento endovenoso com Ceftriaxona 500 mg, uma vez ao dia, e Metronidazol 500 mg, duas vezes ao dia, durante 14 dias.

Pérola Clínica

DIP ambulatorial: Ceftriaxona IM + Doxiciclina VO + Metronidazol VO por 14 dias.

Resumo-Chave

O quadro clínico da paciente é altamente sugestivo de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), caracterizado por dor pélvica, dor à mobilização do colo e anexos, e corrimento purulento. Na ausência de critérios de internação (febre alta, abscesso tubo-ovariano, gravidez, imunodeficiência, falha terapêutica oral), o tratamento ambulatorial é a conduta inicial adequada, cobrindo os principais patógenos (gonococo, clamídia e anaeróbios).

Contexto Educacional

O tratamento da DIP deve ser empírico e iniciado o mais rápido possível. Para casos ambulatoriais, o esquema recomendado inclui uma dose única de Ceftriaxona IM para gonococo, Doxiciclina oral por 14 dias para clamídia e outros atípicos, e Metronidazol oral por 14 dias para anaeróbios. A adesão ao tratamento completo é fundamental para erradicar a infecção e minimizar o risco de complicações a longo prazo. O parceiro sexual também deve ser tratado para prevenir reinfecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios clínicos para o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?

Os critérios mínimos para DIP incluem dor à palpação abdominal em hipogástrio, dor à mobilização do colo uterino e dor à palpação dos anexos. Critérios adicionais como febre, corrimento cervical purulento e elevação de marcadores inflamatórios aumentam a especificidade diagnóstica.

Quando o tratamento da DIP deve ser realizado em regime de internação hospitalar?

A internação é indicada para gestantes, pacientes com abscesso tubo-ovariano, DIP grave (febre alta, náuseas/vômitos, dor intensa), imunodeficiência, falha no tratamento ambulatorial ou quando o diagnóstico é incerto e outras condições cirúrgicas não podem ser excluídas.

Por que o esquema de tratamento ambulatorial para DIP inclui três antibióticos?

O esquema tríplice (Ceftriaxona, Doxiciclina e Metronidazol) visa cobrir o amplo espectro de patógenos envolvidos na DIP. A Ceftriaxona atua contra Neisseria gonorrhoeae, a Doxiciclina contra Chlamydia trachomatis e outros atípicos, e o Metronidazol contra bactérias anaeróbias, que são importantes na patogênese da DIP.

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