HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023
Mulher, 19 anos, comparece no pronto-socorro de ginecologia, com queixa de febre e dor em baixo ventre de moderada intensidade há 15 dias. Relatou ter apresentado "spotting" intermenstrual no último ciclo menstrual. O médico realizou exame ginecológico e constatou: dor à palpação periumbilical, dor à palpação em ambas as regiões anexiais e, ao toque, dor à mobilização do colo uterino. Temperatura axilar: 38°C, Hemograma: leucocitose. Dosagem quantitativa para β-hCG negativa para gravidez. Ultrassom transvaginal normal. Quanto ao início do tratamento deve-se:
Suspeita de DIP (dor pélvica, febre, dor à mobilização do colo) → iniciar ATB empírica de amplo espectro imediatamente.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é um diagnóstico clínico, e o tratamento empírico com antibióticos de amplo espectro deve ser iniciado precocemente para prevenir sequelas reprodutivas. A espera por resultados de culturas ou exames de imagem pode atrasar o tratamento e piorar o prognóstico.
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma síndrome clínica que envolve a infecção e inflamação do trato genital superior feminino, incluindo útero, tubas uterinas e ovários, e estruturas adjacentes. É uma das principais causas de morbidade ginecológica, afetando principalmente mulheres jovens sexualmente ativas, e é uma emergência ginecológica devido ao risco de sequelas reprodutivas. O diagnóstico da DIP é predominantemente clínico, baseado em critérios mínimos como dor em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor anexial bilateral. Critérios adicionais, como febre, leucocitose, elevação de VHS/PCR e secreção cervical purulenta, aumentam a especificidade. Exames de imagem, como ultrassonografia transvaginal, podem ser normais nas fases iniciais ou mostrar sinais de inflamação, mas não devem atrasar o tratamento. O β-hCG negativo é fundamental para excluir gravidez ectópica. O tratamento deve ser iniciado precocemente com antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo os principais patógenos (gonococo, clamídia, anaeróbios e flora vaginal). A escolha dos antibióticos pode incluir ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol, administrados por via parenteral ou oral, dependendo da gravidade. O tratamento oportuno é essencial para prevenir complicações a longo prazo, como infertilidade tubária, gravidez ectópica, dor pélvica crônica e formação de abscesso tubo-ovariano.
Os critérios mínimos incluem dor em baixo ventre, dor à mobilização do colo uterino e dor anexial bilateral. Critérios adicionais como febre, leucocitose, secreção vaginal ou cervical anormal e VHS/PCR elevadas reforçam o diagnóstico.
A antibioticoterapia empírica é crucial porque a DIP é uma infecção polimicrobiana, e o tratamento precoce com amplo espectro (cobrir gonococo, clamídia, anaeróbios) previne a progressão da infecção e minimiza o risco de sequelas como infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica.
Os principais agentes etiológicos são bactérias sexualmente transmissíveis como Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de bactérias da flora vaginal como anaeróbios, Gardnerella vaginalis e Mycoplasma hominis.
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